Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma diz que mudança na meta fiscal de 2016 ainda está em discussão

Presidente afirmou que podem haver posições diferentes dentro do próprio governo; ontem, ministro Levy disse que deixaria o cargo caso meta de superávit primário seja zerada

Bernardo Caram, Carla Araújo, Tânia Monteiro e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2015 | 13h41

BRASÍLIA/MACEIÓ - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 11, que ainda não há definição sobre alteração da meta de superávit primário para o próximo ano, mas reconheceu que não há consenso sobre o tema. "Essa é uma questão que o governo está discutindo. Dentro do governo pode ter posições diferentes e nós estamos discutindo", disse. 

Questionada diversas vezes sobre a possibilidade da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a presidente Dilma Rousseff tentou se esquivar as perguntas, mas diante da insistência de repórteres afirmou que não respondia "a pergunta com esse grau 90 de subjetividade".

Como informou o Broadcast ontem, em uma conversa com representantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO) nesta semana, Levy admitiu que poderá deixar o governo caso seja aprovada a proposta, defendida por uma ala do governo, de reduzir a zero a meta de superávit primário para o próximo ano, fixada por ele em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Hoje, no entanto, o ministro minimizou o fato. Joaquim Levy afirmou que a discussão em torno da possibilidade de que ele saia do governo, caso o Congresso zere a meta de superávit fiscal de 2016, é "um pouquinho irrelevante". 

Em entrevista coletiva durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Levy foi enfático ao afirmar que uma possível revisão da meta do ano que vem trará uma série de repercussões negativas ao País.

"Queremos o Brasil mais uma vez com déficit? Queremos as empresas sendo rebaixadas? As condições de crédito piores? A inflação subindo? Difícil é, mas temos que enfrentar as dificuldades", afirmou. "Disso depende o Brasil voltar a diminuir o risco de rebaixamento", ressaltou. O ministro disse que é possível alcançar a meta de 0,7%, mas é preciso trabalhar para isso.

"Temos que ter bastante cuidado com relação ao ano que vem. Ter um outro ano de déficit primário é complicado. Temos que pensar, porque a repercussão é em toda a economia", disse.

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