Roberto Stuckert Filho/Divulgação
Roberto Stuckert Filho/Divulgação

Dilma diz que rebaixamento da Petrobrás reflete 'falta de conhecimento' da Moody's

A presidente ponderou, no entanto, que a estatal tem 'grande capacidade de se recuperar sem grandes consequências'

Ricardo Della Coletta, Agência Estado

25 Fevereiro 2015 | 12h25

Atualizado às 14h50

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira, 25, que o rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás é "uma falta de conhecimento" do que está acontecendo na empresa. Ela ponderou, no entanto, que a estatal tem grande capacidade de se recuperar. "Não tenho dúvidas de que a Petrobrás tem grande capacidade de se recuperar disso sem grandes consequências", declarou Dilma.

A presidente disse ainda que o governo sempre tenta evitar este tipo de rebaixamento, mas lamentou que não tenha ocorrido "correspondência" por parte agência. Questionada, a petista disse não acreditar que o rebaixamento sofrido pela Petrobrás afete a nota de risco do País. 

Dilma estava em Feira de Santana, na Bahia, onde entregou 900 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Aconselhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente usou o município como primeiro destino de uma série de viagens para recuperar sua popularidade, que despencou em meio ao aumento de preços, especialmente dos combustíveis e da energia, e às denúncias de corrupção na Petrobrás.

A escolha da cidade não foi acaso. Nas últimas eleições presidenciais, a petista obteve 66,7% dos votos válidos de Feira de Santana. Acompanhada do ex-governador da Bahia e ministro da Defesa, Jaques Wagner, ela foi ovacionada pelo público. Dilma defendeu o ajuste das contas do governo "como uma mãe faz na casa dela".


Petrobrás. Conforme apurou o Estado, os executivos da Petrobrás foram informados pelos representantes da agência de classificação de risco Moody's na terça-feira pela manhã que, após dois meses de conversas, a nota da empresa seria rebaixada no fim da tarde, depois do fechamento do mercado. 

A informação foi repassada ao Palácio do Planalto e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, entrou no circuito e fez uma tentativa de última hora para tentar reverter a decisão. Levy ligou para a Moody's e ofereceu uma "carta de conforto" do governo federal - em outras palavras, uma garantia por escrito de que a União socorreria a estatal caso fosse necessário.

Temor. O rebaixamento da nota de crédito da Petrobrás pela agência Moody's caiu como um balde de água fria na equipe econômica do governo Dilma Rousseff. O grupo, formado por Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Babosa, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem se esforçando, desde o fim do ano passado, para melhorar o quadro das contas públicas brasileiras, aumentando a transparência e a comunicação com o mercado. Mas, ontem à noite, o que havia era uma sensação de que o rebaixamento da estatal poderia 'contaminar' a nota de crédito dos títulos brasileiros.

Após o anúncio, ficou definido que o melhor seria discutir alternativas para evitar esse eventual contágio. Hoje, os ministros da equipe econômica devem se reunir com a presidente Dilma para fazer uma avaliação da perda do grau de investimento da Petrobrás e definir uma estratégia de trabalho.

A decisão da Moody´s de retirar a Petrobrás da lista de empresas com grau de investimento aumenta a pressão sobre a classificação do Brasil - na visão do Bank of America (BofA) Merrill Lynch. O rating soberano do País na agência está em Baa2, com perspectiva de possível rebaixamento, e poderia ser reduzido em um nível sem que o Brasil perdesse o grau de investimento. Tal revisão, segundo os analistas Anne Milne, David Beker e Juan Andres Duzevic, se mostra "mais provável" neste momento.
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