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Dilma e Cristina debatem protecionismo comercial

A presidente Dilma Rousseff desembarcará em Buenos Aires nesta quinta-feira, 25, para uma reunião com a presidente Cristina Kirchner na Casa Rosada, o palácio presidencial, após o meio-dia. A estadia em solo portenho, que vai durar menos de 24 horas, tem como objetivo a discussão de uma série de assuntos pendentes na agenda bilateral. O encontro em Buenos Aires estava previsto para 7 de março. Mas, foi cancelado por causa do velório do presidente venezuelano Hugo Chávez.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

25 de abril de 2013 | 09h53

De acordo com o comunicado oficial do Itamaraty, a agenda bilateral da reunião "é composta por projetos de cooperação em ciência, tecnologia, inovação e sustentabilidade, incluindo iniciativas em energia nuclear, defesa, empreendimentos hidrelétricos, construção de satélites, indústria naval e educação." Além disso, as presidentes discutirão "a defesa da integração regional".

Mas o encontro das duas presidentes promete ser embalado pelos problemas existentes entre os dois países, como as barreiras protecionistas do governo Kirchner, que limitam a entrada de produtos do Brasil. As medidas estão em crescimento desde 2009. Mas, em 2012, o secretário de comércio interior, Guillermo Moreno, intensificou as restrições, que foram discutidas - sem sucesso - na cúpula entre Dilma e Cristina durante a reunião anual da União Industrial Argentina (UIA) em novembro passado.

Exportações

As barreiras provocaram uma queda nas exportações do Brasil para a Argentina. Em 2012, as vendas brasileiras para a Argentina despencaram 22%. No primeiro trimestre deste ano, o mercado argentino comprou 10% a menos do Brasil. O primeiro trimestre marcou pela primeira vez em uma década a volta do superávit comercial para o lado argentino da balança, em US$ 87 milhões.

Além dos conflitos comerciais, acumulam-se os problemas que as diversas empresas brasileiras estão tendo na Argentina. Esse é o caso da Vale do Rio Doce, que cancelou o mega investimento de US$ 6 bilhões de uma mina de potássio na província de Mendoza.

Os analistas argentinos afirmam que o governo Kirchner provocou o fim da denominada "paciência estratégica" brasileira. Segundo o ex-secretário de Indústria, Dante Sica, diretor da consultoria Abeceb, o caso da Vale pode ser a "gota d''água" que faltava para provocar uma mudança do "velho formato" no qual estava embasada a relação bilateral: "poderia começar uma nova etapa entre o Brasil e a Argentina, na qual os métodos e mecanismos de intercâmbio bilateral e de investimentos teriam que ser redefinidos".

Segundo Sica, depois da partida da Vale, o anúncio de retirada da Deca, que estava instalada na Argentina desde 1995, "parecem dar sinais que reforçam os rumores sobre possíveis decisões em uma direção similar de outras empresas brasileiras, que um tempo atrás pareciam sólidas no país, mas que agora poderiam retirar-se da Argentina". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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