Dilma e Tombini confirmam medidas de estímulo à economia

Redução do custo da energia será primeira providência para tentar tornar a economia do País mais competitiva

JAMIL CHADE, DANIELA MILANESE, LONDRES, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h06

A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem que já prepara um pacote de medidas para garantir o crescimento da economia no segundo semestre. Dilma está em Londres para a abertura dos Jogos Olímpicos.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que ontem teve encontro com investidores em Londres, esteve no início da manhã no hotel em que a presidente estava hospedada. Na saída, Tombini confirmou que esteve com a presidente mas não revelou o motivo do encontro, que não estava na agenda oficial. Momentos depois, Dilma e Tombini usaram o mesmo discurso para falar da estratégia brasileira frente a crise.

"Nós iremos, no mês de agosto e num pedaço de setembro, tomar algumas medidas", explicou Dilma à imprensa. "Estamos muito preocupados em reduzir o custo do País e estamos focando na questão da energia elétrica", disse Dilma. "Nós todos, brasileiros, já pagamos uma parte das nossas hidrelétricas. Então, elas estão amortizadas. Nós queremos devolver isso por meio de uma redução do custo da energia", explicou Dilma.

Outro pilar do projeto é uma política de investimentos na área de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. "Essa política também vai ser expressa, tanto por meio de concessão como por outros marcos regulatórios, como as parcerias público-privadas." Para completar, Dilma confirmou que o governo está fazendo uma avaliação sobre mais possibilidades de desoneração tributária, ou seja, redução da carga de impostos.

"Nós estamos melhorando o nosso mix de política econômica, tanto no que refere a uma redução dos juros como a uma estabilização do câmbio em um patamar de não supervalorização do real", disse. "Estamos com uma política cambial e uma política monetária e de juros que é de grande consequência para o futuro, porque vai criar, inexoravelmente, um círculo virtuoso no País."

Dilma deixou claro que isso não significa que o juro não vai subir e descer. "Ele subirá e descerá em patamares absolutamente diferentes dos do passado", afirmou. "O País está aproveitando essa oportunidade que nós temos de redefinir as condições de crescimento econômico."

Tombini. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, do outro lado da cidade, usava exatamente o mesmo discurso para convencer os investidores de que o governo tem um plano para lidar com a crise. "É preciso elevar a competitividade e diminuir os custos para a economia real", disse. "O Brasil trabalha para reduzir o custo da energia."

Em meio à apresentação sobre a economia brasileira para a comunidade financeira em Londres, Tombini também passou a mensagem da agenda de competitividade do governo federal. Segundo Tombini, em breve será anunciada a redução dos impostos sobre a energia.

A presidente Dilma, apesar de anunciar o novo pacote, tentou passar a mensagem de que a economia vai crescer no segundo semestre. Mas ela admitiu que a crise terá um impacto na economia brasileira. "O Brasil não é uma ilha. Todos os países do Brics estão sendo afetados pela crise." Segundo ela, o fortalecimento da classe média ajuda o País a enfrentar a crise. "Com a distribuição de renda, nós elevamos para a classe média uma Argentina, em dez anos", afirmou.

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