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Dilma está preocupada

Por razões mais fortes do que pelo seu déficit de credibilidade, a presidente não consegue reverter a inconsistência das contas públicas por ela administradas

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2015 | 21h00

A presidente Dilma avisou sábado em Nova York que está “extremamente preocupada” com a disparada da cotação do dólar no câmbio interno. E ameaçou dar uma lição ao mercado por meio da venda de reservas externas, que hoje estão nos US$ 370 bilhões, para trazer as cotações para um nível aceitável, sabe-se lá qual seja.

Mostrou-se preocupada com a alta da moeda estrangeira no País porque agora percebeu que há grande número de empresas brasileiras, a começar pela Petrobrás, altamente endividadas em dólares. Com essa recessão braba e quebra de faturamento, enfrentam enormes dificuldades para honrar seu passivo.

Os solavancos do câmbio são apenas consequência dos desarranjos da política econômica. Usar reservas sem equacionamento do rombo é jogar dinheiro fora, como ficou anotado pela Coluna de sábado.

As empresas não enfrentam só a escalada de suas dívidas em reais. Enfrentam também falta de chão para fechar qualquer contrato. Ninguém sabe ao certo a quantas irão o câmbio, os juros, a atividade econômica - nem quem chefiará o governo dentro de mais alguns meses. São incertezas que paralisam tudo, aprofundam a recessão e o desemprego.

As projeções sobre o comportamento da economia continuam em deterioração, como se viu nesta segunda-feira, a partir da divulgação da Pesquisa Focus, feita semanalmente pelo Banco Central com mais de cem instituições (veja o Confira).

Nessas condições, como contratar novo empréstimo ou a que câmbio fechar uma importação para ser liquidada, digamos, em seis meses? O exportador, por sua vez, não sabe se deverá vender imediatamente sua produção ou se não faria melhor se a estocasse e esperasse por uma cotação ainda mais alta da moeda estrangeira.

As declarações da presidente Dilma pretenderam reforçar o que já haviam dito o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Mas não ajudaram em muita coisa. Com baixíssima credibilidade e com o boneco da Pixuleca circulando por aí com o narigão do Pinóquio, a presidente Dilma não se deixa impressionar.

Por razões mais fortes do que pelo seu déficit de credibilidade, a presidente não consegue reverter a inconsistência das contas públicas por ela administradas. Ao contrário, o governo mostra falta de determinação e de compromisso com a implantação do ajuste fiscal.

Nesta segunda-feira, o câmbio voltou a puxar pela alta (veja o gráfico), refletindo a falta de confiança no governo, que fica, assim, desafiado a colocar em prática o despejo de reservas.

O impasse político se agrava. O PMDB está desembarcando da base de apoio; a ala majoritária do PT não só condena o ajuste (porque faz o jogo dos banqueiros), mas também pede explicitamente a demissão de ministros-chave do governo. Enquanto isso, a oposição convencional prefere assistir passivamente à implosão, sem proposta consistente para a saída da crise. É mais gasolina na fogueira.

CONFIRA:

Aí você tem os gráficos que mostram a deterioração de dois indicadores importantes da economia: atividade econômica (PIB) e inflação.

 Piorou

As estimativas de inflação em 2015 são ainda piores entre as cinco instituições que mais acertam os prognósticos, os chamados top 5. Para estes, a inflação deste ano vai para 9,63% (e não para 9,46%, como aponta a mediana do mercado). Em apenas uma semana, a percepção para a produção industrial deste ano caiu de -6,45% para -6,65%. E para o PIB, de -2,7% para -2,8%.

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