Dilma exige fim das demissões nas montadoras para manter incentivos

A presidente Dilma Rousseff adverte a indústria nacional e principalmente as montadoras: não continuarão a receber incentivos fiscais e privilégios se isso não se reverter em mais postos de trabalho e num freio imediato nas demissões.

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h09

Ontem, em Londres, onde participou da abertura dos Jogos Olímpicos, Dilma mandou seu recado e disse que vai punir quem não cumprir compromissos. A presidente ainda deixou claro que a cobrança não é apenas às montadoras, mas a todos os setores industriais que tenham se beneficiado de algum tipo de redução de impostos.

"Nós damos incentivos fiscais e financeiros e queremos um retorno para o País inteiro, que é a manutenção do emprego", declarou. "Todos os setores que receberem incentivos do governo, não só as montadoras, têm de saber que nós fazemos isso por um único motivo: garantir o emprego e a renda do povo brasileiro."

Desde a eclosão da crise econômica global e diante da desaceleração crítica da indústria brasileira, vários setores passaram a ser beneficiados pela redução do IPI e de outros impostos. Um dos beneficiados foi o setor automotivo. Mas a condição era manter os empregos e não demitir.

Mas nos últimos dias apareceram notícias sobre ameaças de demissões em montadoras.

A General Motors está em negociação para demitir 1,5 mil trabalhadores. Isso porque pretende fechar uma linha de produção da fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Polêmicas, as negociações já levaram até mesmo a paralisações da produção. Ela não seria a única. A Volvo dispensou 208 funcionários da fábrica em Curitiba.

Em Brasília, o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, deu um recado direto aos distribuidores de veículos. Ele informou que o governo só estenderá a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que se encerra no dia 31 de agosto, se a GM se comprometer a não reduzir o quadro de trabalhadores.

Em São Paulo, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) rebateu as acusações do governo, informando que não há onda de demissões no setor. As montadoras dizem que estão contratando e que a questão da GM é 'pontual'.

"Se houve um recado por parte da presidente Dilma Rousseff para setores que estão demitindo, não foi dirigido a nós", afirmou um porta voz da Anfavea.

A cobrança de Dilma é mais uma pressão a setores da indústria, como no caso das teles. Mas ela garante que o governo não está fazendo uma lista de setores a serem fiscalizados de perto. "Na medida em que acontecem esses incentivos, é justo que o governo acompanhe o desempenho do emprego. Aliás, nós só damos incentivo e fazemos toda uma política anticíclica voltada ao crescimento para garantir o emprego, não é por outra coisa."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.