Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma já havia acertado a saída de Levy mais de uma vez

Presidente perdeu a paciência com o ex-ministro ao saber que ele havia se despedido do cargo na quinta-feira

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 22h24

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff já havia acertado com Joaquim Levy, mais de uma vez, a saída dele da Fazenda. No domingo, os dois tiveram uma longa e definitiva conversa, no Palácio da Alvorada. Levy disse que, terminado o ano legislativo, tinha cumprido sua missão. Dilma aceitou, mas pediu a ele que esperasse janeiro, para evitar turbulências na economia, nesse período de forte crise política. O ministro concordou.

Na prática, antes mesmo da deflagração do processo de impeachment, a presidente já havia tentado encontrar alguém para comandar a Fazenda. Sem sucesso. Dilma sempre gostou de Nelson Barbosa, o titular do Ministério do Planejamento – considerado desenvolvimentista –, mas sabia que o mercado financeiro tinha restrições a ele.

Na terça-feira, porém, em reunião com sindicalistas e representantes de entidades empresariais, Dilma indicou que faria mudanças na política econômica após o ajuste fiscal, mas não disse quais.

Um dia depois, num jantar no Palácio da Alvorada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a ela que era preciso intensificar as buscas por um sucessor para Levy.

Lula afirmava há tempos que o ministro estava com “prazo de validade vencido” e a pressionava para pôr o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles no comando da Fazenda. Ela nunca gostou de Meirelles.

Dilma perdeu a paciência com Levy na quinta-feira, ao saber que naquele dia ele havia se despedido do cargo, ao participar da última reunião do Conselho Monetário Nacional. Emissários da presidente sondaram para a cadeira de Levy os economistas Marcos Lisboa e Otaviano Canuto, que integraram a equipe do então ministro da Fazenda Antônio Palocci, no governo Lula. Os dois recusaram.

A entrevista publicada ontem pelo Estado, com críticas ao governo, irritou Dilma. “O governo só fala do fiscal. Por quê? Eu não sei. Nunca entendi. Parece que tem medo de reforma, não quer nenhuma reforma”, reclamou o ministro.

Na manhã de ontem, vários gabinetes do Planalto tinham cópias da entrevista. Em privado, Levy disse a auxiliares de Dilma que nunca havia esperado que uma despedida sua no Conselho Monetário Nacional vazasse.

A troca na Fazenda demorou a ser anunciada porque Dilma ainda tentou sondar outros nomes. Ouviu do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a sugestão para pôr Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no comando da equipe econômica. A presidente, porém, não chegou a convidá-lo.

Apesar de gostar de Monteiro, Lula preferiu Barbosa, que periodicamente faz análises sobre o cenário econômico para o ex-presidente. Lula e o PT venceram a queda de braço.

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