Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

'Dilma jamais se posicionou sobre criação de novos impostos', diz Edinho Silva

Apesar de fontes confirmarem debate no governo sobre CPMF, ministro da Comunicação Social nega a volta do imposto e afirma que, para o Planalto, prioridade do momento é reduzir custos

O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 10h39

SÃO PAULO - O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, negou nesta quinta-feira, 27, que o governo esteja preparando a volta da CPMF. "O governo jamais se posicionou sobre criação de novos impostos", disse Silva em entrevista à Rádio Estadão. Segundo ele, a prioridade do Planalto neste momento é reduzir custeio.

Uma fonte da equipe econômica do governo informou ontem ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o envio de uma proposta de emenda constitucional da CPMF ao Congresso Nacional está sendo analisada pela presidente Dilma Rousseff e qu o governo já tem uma minuta pronta da PEC. Ela faz parte do conjunto de medidas de aumento de tributos em discussão na elaboração da proposta do Orçamento da União do ano que vem.

O ministro, no entanto, atribui a volta do assunto a dificuldades econômicas enfrentadas pelo País e também por outras economias, como a China. "Sempre que se colocam dificuldades como a que estamos vivenciando, de queda de arrecadação por conta da retração econômica que o País e também outro países, como a China, vivem, começa a se especular sobre aumento de arrecadação, necessidade de criação de outros impostos". Silva, disse que novas formas de tributação são pautas que estão em debate  no Congresso, mas negou que Dilma tenha alguma posição sobre o assunto. "Ela jamais se posicionou publicamente sobre aumento de arrecadação por meio de criação de novos impostos".

Questionado sobre a demora do governo em realizar "cortes na própria carne",  o ministro afirmou que a aprovação das medidas de ajuste econômico, finalizada pelo Congresso na semana passada, foi apenas uma primeira fase, já superada pela presidente Dilma Rousseff. "Várias medidas foram tomadas para que pudéssemos ajustar a economia e preparar o País para retomar o crescimento. Essa foi a primeira fase. O governo não está acomodado diante de ajuste. A lição de casa será feita". Silva lembrou que, no início da semana, Dilma e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, também anunciaram uma redução de cargos e ministérios com a finalidade de reduzir custos. "Essa é a prioridade do momento".

Sobre o afastamento do vice-presidente da República Michel Temer do "varejo" da articulação política, Silva disse que a relação com o vice-presidente é a "melhor possível" e voltou a falar sobre a importância do papel assumido por ele nos últimos meses. "Temer foi o principal interlocutor junto ao Congresso sobre as medidas que tivemos que encaminhar e que garantiram boa parte do ajuste proposto pelo governo. Foi um interlocutor fundamental no dia a dia junto às principais lideranças, o que é difícil para um vice que tem atribuições impostas pelo cargo". Segundo o ministro, Temer decidiu abrir mão dessa função por gerar um "desgaste no dia a dia" e que, a partir de agora, combinou com a presidente que continuará a dialogar com o Congresso, mas nos grandes temas. "Essa relação está pacificada. É um momento de mudança de postura de Temer que gera especulação, mas isso é natural. Ele está comprometido com a governabilidade".

O ministro afirmou, ainda, que está tranquilo com relação à aprovação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da análise de recurso feito pelo PSDB que pode levar à cassação do mandato da presidente Dilma e do vice, Michel Temer. "Tenho total tranquilidade quanto à licitude dos recursos de campanha", disse ele, que foi o coordenador financeiro da campanha eleitoral de 2014. "Acho natural que partidos de oposição possam fazer representações e tomar medidas para pedir novas fiscalizações. Faz parte do sistema judiciário brasileiro. Estou tranquilo, assim como estava tranquilo quando prestamos contas ao TSE (no final de 2014)".

Edinho Silva também comentou nota divulgada pela Federação das Indústria de São Paulo (Fiesp) em que a instituição critica o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por "não se importar" com os aumentos nas taxas de desemprego no País. "Vejo com naturalidade essa nota. Vivenciamos um ambiente no Brasil de exercício da democracia". 

Ouça na íntegra a entrevista à Rádio Estadão: 

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