Dilma manipulou dados sobre Libra, acusa Serra

Para ex-governador, presidente alterou números ao citar receita de 85% em cadeia nacional da rádio e TV  

Gustavo Porto, da Agência Estado,

23 de outubro de 2013 | 18h18

SÃO PAULO - O ex-governador e ex-prefeito de São Paulo José Serra (PSDB), candidato derrotado pela presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2010, diz em sua página no Facebook que ela manipula dados sobre o leilão de Libra.

Para ele, Dilma "se habilitou ao recorde mundial de manipulação de algarismos pela TV" durante o pronunciamento de segunda-feira, 21, em cadeia nacional de rádio e televisão.

Em A falácia sobre os 85% de Dilma, o tucano tenta desqualificar a afirmação da presidente de que a União e a Petrobrás ficarão com esse porcentual da renda futura do campo e sustenta, por meio de cálculos, que os ganhos ficarão, no máximo, em 75,6%.

"Esses 85% não são corretos e, além disso, incorporam elementos próprios da atividade econômica normal. Ou seja, seriam arrecadados pelo governo de qualquer jeito, por atividades econômicas do petróleo que simplesmente já existem", complementa Serra.

O cálculo do ex-prefeito, aponta que a partir de uma hipotética receita bruta da venda do petróleo de R$ 100, R$ 15 seriam pagos em royalties, outros R$ 30 cobririam os custos de exploração, e a receita líquida gerada seria de R$ 55. "Como o lance mínimo foi de 41,65% da renda líquida, o governo receberá R$ 22,91 em cada R$ 100 de petróleo vendido", disse.

Após o pagamento de impostos, o lucro do consórcio vencedor, segundo Serra, será de R$ 21,18.

"A Petrobrás receberá R$ 8,47 em cada R$ 100, posto que participa com 40% do capital do consórcio. A participação pública na Petrobrás é de 48%. Assim, o lucro do Tesouro a partir de sua participação na empresa é de R$ 4,07 em cada R$ 100 de petróleo vendido".

Com a soma dos R$ 15 dos royalties, os R$ 22,91 do porcentual que cabe ao governo na partilha e os R$ 4,07 da parte que cabe ao governo na Petrobrás, a arrecadação seria de R$ 41,98 para cada R$ 100 faturados, segundo os cálculos de Serra.

"Para chegar próximo dos 85% discursados pela Presidente é necessário incorporar outros elementos. Incluindo os impostos, que qualquer atividade paga, teríamos R$ 52,89 em cada R$ 100", disse. "Colocando no denominador a receita líquida dos custos de exploração, ou seja, R$ 52,89 dividido por 70(% em vez de 100%), chegamos a 75,6%, perto de dez pontos percentuais abaixo do número apresentado por Dilma", completou.

Ainda segundo o ex-prefeito, "o pior é que, espancando a lógica, ela (Dilma) apresentou esses 85% como demonstração de que o modelo adotado é diferente de privatização. Tirando dez pontos percentuais passa a ser menos diferente?", indagou Serra, concluindo: "se o famoso matemático Malba Tahan fosse vivo, disporia de material para uns dois livros sobre como confundir números e tentar conquistar eleitores".

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