Dilma modifica os pilares econômicos de Lula e FHC

Para ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, meta de inflação foi substituída por câmbio e juros

EDUARDO CUCOLO, LU AIKO OTTA /BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h06

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega diz que a nova política econômica do governo Dilma acabou com os três pilares econômicos dos governos FHC e Lula. "O Banco Central (BC) não tem mais meta de inflação. É de juros e câmbio", afirmou. "Claramente, temos uma nova política econômica, que está sendo comemorada por críticos da política anterior." O ex-ministro disse que o câmbio flutuante está "bichado". "O BC opera uma banda informal, o que dá característica de câmbio fixo."

Ele diz ainda que poucas pessoas têm dúvida de que quem manda hoje na economia é o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que deixou isso muito claro na entrevista ao Estado, quando disse que não será necessário subir os juros em 2013. "Se é verdade, o Copom virou uma pantomima." O ex-presidente do BC Gustavo Loyola afirmou à Agência Estado que o Brasil está "em pleno regime de bandas cambiais", em função do comentário do ministro da Fazenda de que o IOF pode subir caso ocorra uma nova onda de ingresso maciço de capitais do exterior.

"Se o câmbio fosse flutuante, mesmo com flutuações sujas, o real estaria valorizado neste momento, pois recentemente o dólar perdeu valor ante diversas moedas no mundo, mas o real ficou praticamente estável ao redor de R$ 2,00", destacou.

O economista Sidnei Nehme, da corretora de câmbio NGO, também diz que, informalmente, o câmbio deixou de ser flutuante para ser administrado.

Para ele, a mudança é ruim, mas, neste momento, pode ser necessária. "O câmbio no nível atual permite defender um pouco mais a indústria do produto importado, sem gerar inflação", diz. Se a inflação permitir, a banda poder subir novamente, para uma faixa entre R$ 2,05 e R$ 2,10.

Bruno Lavieri, da Tendências Consultoria, diz que a inflação não permitirá uma desvalorização maior do real. E que a manutenção da nova política cambial depende da retomada ou não da entrada de dólares no País.

"O governo deixou claro que essa é a zona de conforto para o câmbio, mas a gente não acha que seja a melhor opção. Com o câmbio flutuante, haveria oportunidade de ter uma inflação mais controlada."

Ao estabelecer um teto para o dólar, o BC visa também reduzir o impacto da alta nos preços internacionais de commodities sobre a inflação no Brasil.

O próprio BC admitiu que o cenário externo terá efeito inflacionário sobre o País neste ano. As projeções da instituição para os preços neste ano estão acima do centro da meta de 4,5%, mesmo considerando um dólar a R$ 2,00./COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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