André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma não terá condições de falar em 1º de maio se não alterar terceirização, diz Renan

Presidente do Senado criticou novamente a proposta aprovada pela Câmara e disse que terceirizar a atividade-fim desqualifica o trabalhador e desorganiza a economia

Adriana Fernandes e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 13h23


BRASÍLIA - Ao fazer uma dura defesa de mudança no projeto de regulamentação da terceirização, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, afirmou nesta terça-feira, 28, que a presidente Dilma Rousseff vai continuar sem falar no Dia Internacional do Trabalho se não trabalhar pela alteração da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.

"A presidente não pode fazer isso. Se ela continuar fazendo isso, vai continuar não tendo condições de falar no dia 1º de maio", ironizou.

Após ter sido alvo de um “panelaço” em diversas cidades do País quando falou pela última vez em cadeia de rádio e TV, no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, a presidente Dilma Rousseff desistiu de fazer o tradicional pronunciamento à Nação no 1º de maio.

O presidente do Senado informou que disse ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sua preocupação com a terceirização da atividade-fim, porque caracteriza um modelo novo de desenvolvimento, prejudica as relações de trabalho no País, desqualifica o trabalhador e desorganiza a economia.

"O Senado vai analisar criteriosamente essa matéria. Todos nós defendemos a regulamentação dessa matéria para ampliar a segurança jurídica. Precisamos tirar esses 12 milhões de trabalhadores da zona cinzenta, mas nós não podemos permitir que a terceirização da atividade-fim se faça sem limite", disse. Para o presidente do Senado, seria um retrocesso e o País não "pode pagar esse preço".

Para ele, não faz sentido nenhum, em um momento em que o governo aumenta R$ 33 bilhões de impostos, transferir a conta para o trabalhador. "Se isso continuar acontecer, a presidente vai continuar não podendo falar no dia primeiro de maio", insistiu ele.

Sobre divergências com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em torno do projeto de terceirização, Renan afirmou que não vai "rebaixar a discussão entre Câmara e Senado" a esse patamar. "Não é isso que os senadores querem", afirmou. 

Ajuste fiscal. Renan disse ainda que o projeto de terceirização agrava o ajuste fiscal. Segundo ele, o que o Congresso Nacional tem buscado é a qualidade do ajuste. "Nós estamos preocupados com a qualidade do ajuste. Não é com o quanto. É com o como. E a terceirização agrava muito mais isso", afirmou ele, após reunião com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. 

Ele criticou a posição do governo. "Esse ajuste não é um ajuste fiscal. O ajuste fiscal tem que cortar no Estado e fazer a reforma. Esse é um ajuste trabalhista. E como ajuste trabalhista, a presidente está tendo dificuldade de falar no primeiro de maio. A conta não pode ir para o trabalhador", disse.

Para analistas do mercado, a briga entre o governo e o PMDB, pode atrapalhar votação de medidas do ajuste fiscal

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