Dilma pede a brasileiro que mantenha consumo

Presidente diz que o Brasil não pode temer o período difícil da economia internacional, que segundo ela deve durar pelo menos dois anos

LUCIANA NUNES LEAL/RIO , O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h04

A presidente Dilma Rousseff previu ontem que a crise europeia não diminuirá antes de pelo menos dois anos e manifestou preocupação com o "momento muito delicado internacionalmente", mas insistiu que o Brasil não pode temer o período difícil da economia mundial e, ao contrário, precisa manter a produção e o consumo.

"Nesse momento de crise, o que nós temos de fazer não é nos atemorizar, parar de consumir, parar de produzir. Ao contrário, temos que avançar, melhorar a qualidade de serviço público do Brasil, garantir que o setor privado continue investindo e que o povo brasileiro continue consumindo", disse a presidente, em discurso durante solenidade de inauguração de novas unidades do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), no Rio.

Dilma recorreu à filosofia de que "crise é também oportunidade" para apontar a necessidade de o País investir em educação, inovação e desenvolvimento tecnológico. Este será, segundo a presidente, o caminho para produção de produtos hoje importados e de geração de emprego. A presidente comemorou a taxa de 5,8% de desemprego, anunciada na quinta-feira pelo IBGE, e comparou com o índice da Espanha "em torno de 22%".

"É certo que a Europa ficará, um tempo bastante expressivo, em crise. Essa crise europeia não acaba nem em um ano e, possivelmente, nem em dois . Não chego a falar em uma década, mas acho que nós temos de ter consciência disso. Também os Estados Unidos não estão numa situação muito favorável. Mas crise é também oportunidade. E o Brasil está hoje diante de várias oportunidades", afirmou a presidente, citando a criação de novos centros de produção de medicamentos e de procedimentos médicos .

Petrobrás. "O Brasil vai ter de dar o salto da educação, da inovação e da criação e incorporação de tecnologia", disse a presidente que, além da saúde, citou o setor do petróleo, em especial a Petrobrás. "Nós queremos produzir, no Brasil, todos os produtos que a nossa Petrobrás vai demandar, nos próximos anos. Para vocês terem uma ideia, até 2020 a Petrobrás vai comprar, mais ou menos, 67 sondas. Considerando que cada sonda custa aproximadamente R$ 1 bilhão, nós temos, então, uma demanda muito forte, que explica por que, mesmo nesse momento de crise internacional, nós sejamos um país com uma das menores taxas de desemprego", disse.

À tarde, em Niterói, Dilma participou da entrega do navio Celso Furtado à Petrobrás Transportes (Transpetro). O navio, com capacidade para 56 milhões de litros de derivados de petróleo, é o primeiro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) a ser entregue.

Em discurso para 4 mil trabalhadores do estaleiro, ela disse que os empregos na indústria naval estarão garantidos mesmo quando as 49 embarcações encomendadas pela Transpetro estiverem prontas: "Não vamos transferir empregos para outros países do mundo. Os empregos gerados no Brasil vão ser mantidos." /COLABOROU SERGIO TORRES

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