Dilma pede que Congresso vote com ‘consciência’ sobre os royalties

Presidente defendeu os vetos, ressaltando que eles ‘garantem a distribuição plena dos ganhos do petróleo para todos os brasileiros e brasileiras de todos os Estados’

Cláudia Trevisan, enviada especial a Moscou,

13 de dezembro de 2012 | 12h13

Texto atualizado às 14h50.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira, 13, que não pode fazer mais nenhum gesto para convencer o Congresso a manter os vetos ao projeto que altera as regras de divisão dos royalties do petróleo. "Não há gesto mais forte que o veto. Não tem mais o que fazer. Que todos votem de acordo com a sua consciência", declarou em Moscou.

Os parlamentares deverão analisar o assunto na próxima semana e existe a possibilidade de que modifiquem as decisões adotadas por Dilma. "O funcionamento da democracia é assim", disse. A presidente defendeu os vetos, ressaltando que eles "garantem a distribuição plena dos ganhos do petróleo para todos os brasileiros e brasileiras de todos os Estados".

Dilma observou que sua posição levou em conta o respeito a contratos e a necessidade de aumentar os investimentos em educação. "Só vamos ser um país desenvolvimento plenamente quando tivermos uma educação de qualidade no Brasil. Para isso precisamos de recursos", defendeu.

Segundo ela, o petróleo é um recurso finito, não renovável. "Tudo o que ganharmos do petróleo temos que deixar para a riqueza mais permanente, que é a educação que cada um carrega."

A presidente rechaçou a avaliação de que a eventual derrubada dos vetos gere uma crise entre os Poderes. "Nós somos um País democrático e temos que conviver com as diferenças", ponderou. Sou de uma época em que tudo no Brasil virava crise, mas um tipo de crise que tinha consequências bem mais graves que as de hoje. A gente ia para a cadeia. Nós não somos isso."

Carne brasileira

As declarações foram dadas em rápida entrevista da presidente no lobby do hotel onde está hospedada em Moscou. A presidente havia acabado de chegar de encontro com o primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Medvedev, com quem discutiu questões bilaterais relacionadas ao comércio e a investimentos.

Dilma recebeu a promessa de que haverá uma solução "positiva" para os problemas relativos à importação de carne brasileira. "Ele não me comunicou ainda qual a decisão final, mas considera que os produtores brasileiros tomaram todas as medidas (necessárias)".

A Rússia suspendeu em junho de 2011 a importação de carnes de três Estados - Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. O setor enfrenta ainda o problema da exigência da Rússia de adoção de um processo de certificação para comprovar que a carne suína vendida ao país não possui ractopamina - um aditivo alimentar que reduz a quantidade de gordura e amplia a de carne no animal.

Embraer

O Brasil obteve hoje uma vitória com a certificação do jato E-190 da Embraer, o que abrirá o mercado local às aeronaves da companhia. A empresa estima que a Rússia vai comprar cerca de 300 jatos de cerca de 100 lugares nos próximos 20 anos e espera atender parte dessa demanda.

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