Dilma pode indicar Mantega para presidir conselho do banco dos Brics
Imagem Adriana Fernandes
Colunista
Adriana Fernandes
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Dilma pode indicar Mantega para presidir conselho do banco dos Brics

Pelas regras acertadas na criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Brasil terá direito à primeira presidência do conselho de administração; Índia indicará a presidência do banco

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 20h40


O anúncio dos líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul ) de formar um conselho de administração interino do novo banco de desenvolvimento do grupo alimentou as especulações de que a presidente Dilma Rousseff pode indicar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para presidir o conselho.


Pelas regras acertadas nas negociações da assinatura do acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o Brasil terá direito à primeira presidência do conselho de administração e a Índia vai indicar a presidência do banco. Já a sede será em Xangai, na China.


Na presidência do Conselho de Administração, o Brasil terá maior influência na definição das diretrizes do banco, segundo avaliação de fontes nacionais. O banco foi criado com a missão de ajudar na oferta de crédito mais barato para investimentos em infraestrutura. O Conselho de Administração terá entre suas funções decidir sobre planos de investimento e de expansão do banco.


A indicação do ministro Mantega seria uma forma de prestigiá-lo depois de sua permanência por mais de oito anos no comando da economia brasileira. O ministro foi um dos mais atuantes para a criação do banco e pela reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI).


O Brasil queria a presidência do NBD. Mas, nas negociações finais, que ocorreram na reunião de julho passado, em Fortaleza, cedeu a vantagem à Índia em troca da presidência do conselho.


Pressa. Segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o governo brasileiro tem interesse em que o banco comece a funcionar interinamente - ainda em 2015 -, já que o processo de ratificação do acordo de criação deve demorar pelo menos um ano. 


Segundo fontes, está sendo discutida a possibilidade de alguns países anteciparem parte do aporte inicial previsto no acordo para financiar a estrutura inicial do banco, inclusive o pagamento inicial dos dirigentes. O Brasil, porém, não poderá fazer o aporte antes da ratificação do acordo pelo Congresso Nacional.


No comunicado divulgado após o encontro dos presidentes dos países do Brics, que antecedeu a reunião de cúpula do G-20 da semana passada, foi citado o avanço na constituição do NBD e ficou decidido que os ministros de finanças devem designar o "presidente e os vice-presidentes do NBD com bastante antecedência à próxima cúpula do Brics na Rússia".


Além dessa nomeação antecipada, o grupo concordou em anunciar a formação do Conselho de Administração Interino que conduzirá a próxima etapa para a criação do NBD. A intenção é acelerar o processo de estabelecimento da instituição financeira enquanto os poderes legislativos avançam com a tramitação legal da nova instituição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.