Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'Dilma precisa assumir protagonismo da economia', diz Delfim

Para ex-ministro da Fazenda, 'esperança' de que o crescimento do País vai voltar só pode ser dada pela presidente

Fernanda Guimarães, Mário Braga e Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 11h21

Atualizado às 11:42

SÃO PAULO - O ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, afirmou que "o melhor" para o crescimento do País e a democracia é a continuidade do governo Dilma Rousseff. "Mas isso exige que Dilma assuma o protagonismo" da situação econômica do País, a fim de trazer à sociedade "a esperança" de que o crescimento vai voltar. "Isso vai induzir os trabalhadores ao entendimento de que o risco de desemprego é menor. E essa esperança só pode ser dada pela Dilma", disse. 

"Não há menor esperança de ter equilíbrio fiscal sem a volta da esperança do crescimento", ressaltou Delfim Netto. Para ele, a presidente Dilma deveria ir ao Congresso e apresentar quatro ou cinco projetos que vão modificar problemas estruturais da economia. "É preciso que fixe um limite superior para a aposentadoria. Também é necessário que libere a livre negociação, como a proposta da CUT, entre trabalhadores e empresários, com a supervisão dos sindicatos", comentou. 

O ex-ministro destacou ainda que é fundamental acabar com vinculações de receitas, bem como acabar com a indexação de reajustes do salário mínimo, baseada na inflação passada. "Sem isso, não tem solução", apontou. "Ninguém vai fazer ajuste e a inflação vai voltar para 4,5% só quando entendermos que é preciso uma coordenação muito melhor entre as políticas monetária e fiscal, bem como da administração da dívida pública."

Delfim também destacou que a continuidade do governo Dilma até o final do seu mandato em 2018 é fundamental para a democracia. "A melhor coisa para o crescimento do Brasil é cumprir as instituições e os ditames da Constituição. Só isso permite crescer de 1% a 2% por 10 anos."

Na avaliação do ex-ministro, não há justificativa para um impeachment da presidente baseado no adiamento do pagamento de despesas pelo governo, o que é conhecido como "pedalada fiscal". "Se tivesse acontecido um desvio de conduta, não há o menor problema. Mas não da forma como está sendo colocado", disse. "As pedaladas existiram, sempre existiram, feitas pelos Estados, municípios e União", acrescentou. Delfim classificou a tese de impedimento em tais circunstâncias de "tapetão inventado."

"O Brasil não é uma pastelaria, é uma nação civilizada. Durar este governo até 2018 é um processo didático. É aprender que voto tem consequência", disse.

Contraponto. Apesar de defender a manutenção da presidente, Delfim disse que Dilma "se perdeu em 2012, quando tinha 92% de aprovação da sociedade." Para ele, com a alta popularidade, Dilma avaliou que poderia fazer várias mudanças na economia, como "controlar a taxa de juros arbitrariamente e fazer um movimento na área de energia que foi um desastre".

O ex-ministro se mostrou ainda otimista com o Brasil. "Eu há 60 anos enfrento crises e causei algumas delas", disse. "Um sujeito de 88 anos pessimista seria um idiota", concluiu. 


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