Dilma prepara ofensiva para rebater críticas da agência

Já a partir desta semana, presidente deve falar do 'bom momento do País' em entrevistas e inaugurações de obras

Tânia Monteiro e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h02

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff não escondeu a irritação ao saber, ontem, que a agência Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito do Brasil em um nível. Dilma soube da decisão quando ainda estava reunida com banqueiros, no Palácio do Planalto. Pega de surpresa, ela orientou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a preparar uma nota dura para se contrapor aos argumentos da agência.

Foi a própria Dilma que escolheu o adjetivo "inconsistente", usado na nota da Fazenda, para qualificar a decisão da S&P. Ela não esperava que o rebaixamento da nota saísse nesse momento, embora a representante da agência internacional de classificação de risco tenha visitado o Brasil há menos de duas semanas.

Candidata à reeleição, Dilma sabe que a notícia será usada por seus adversários na campanha para atacar a condução da política econômica e defender a mudança de rumo. Com um discurso voltado para atrair investidores, a presidente avalia que as ponderações da Standard & Poor's não refletem o atual momento e, pior, assustam os empresários.

Contraofensiva. Dilma proibiu ontem ministros de darem entrevistas sobre o assunto, para evitar desencontro de informações. A presidente decidiu, porém, rebater pessoalmente, nesta semana, as considerações da agência internacional.

A estratégia é falar sobre o bom momento do Brasil não só nas entrevistas concedidas no Palácio do Planalto, mas também nas inaugurações de obras, em viagens pelo País.

Na tentativa de "vender" otimismo, a presidente destacará que as condições econômicas de hoje são muito boas, com emprego e renda em expansão, e também lembrará que o Brasil teve crescimento superior à maioria dos países do G-20 no ano passado.

Dilma elogiará, ainda, o programa de infraestrutura, com concessões em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, um de seus xodós no governo. A avaliação do Planalto é de que, apesar das críticas, esse programa renderá frutos a partir do segundo semestre e colocará o Brasil em um novo patamar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.