Dilma promete mais medidas de incentivo a empresas e pode ampliar desoneração

Diante de 28 pesos pesados da economia brasileira, a presidente Dilma Rousseff prometeu ontem adotar novas medidas de estímulo ao setor produtivo. A desoneração da folha, restrita a menos de dez setores, poderá ser estendida a toda a indústria. O PIS-Cofins, considerado o mais complexo dos tributos federais, será simplificado. Haverá também um esforço para que a aduana brasileira se torne tão eficiente quanto a americana.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h03

Além disso, o governo vai continuar com a estratégia de segurar o câmbio, baratear capital de giro, ampliar o crédito e melhorar a infraestrutura. Estuda também formas de reduzir o custo de energia. Com isso, a presidente destacou que o governo fará sua parte e pediu aos empresários que sigam investindo. "Eu preciso que vocês deem o melhor do que existe no espírito empreendedor brasileiro", disse.

"O governo sozinho não faz verão. É preciso o esforço do empresariado", insistiu a presidente. Os empresários citaram oportunidade de investimentos, mas pediram ao governo maior agressividade e agilidade na redução da carga tributária e nas medidas contra a valorização do real.

O câmbio foi apontado pelos empresários como um desafio importante, pois há uma política de desvalorização cambial em vários países, o que coloca os produtos brasileiros em situação de inferioridade, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O governo decidiu intensificar os estímulos ao setor produtivo por causa das dificuldades de alcançar taxas elevadas de crescimento este ano. A presidente comentou que a desaceleração chinesa vai repercutir no mundo inteiro, daí a necessidade de agir com mais intensidade.

Mantega foi encarregado de elaborar as novas medidas, com foco especial na indústria de transformação, segundo relatou o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. O ministro estará em São Paulo na segunda-feira para discuti-las.

Custos. Os empresários se queixaram sobretudo dos custos elevados de produzir no País. O ministro admitiu que, apesar de o Brasil estar em pleno emprego, é preciso reduzir o custo da mão de obra. Por isso, a desoneração da folha de salários das empresas foi discutida. Mantega garantiu que a medida tem a aprovação de todo o setor industrial, embora haja críticas à velocidade da implementação. "Todos querem que aconteça, talvez queiram que seja mais rápido."

"A presidente colocou uma posição muito clara de defesa da indústria nacional", disse o empresário Jorge Gerdau. "O governo quer que as empresas brasileiras concorram com as estrangeiras em igualdade", avaliou o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. E isso será feito sem medidas protecionistas, destacou Luiza Trajano, do Magazine Luiza. / LU AIKO OTTA, BEATRIZ ABREU, IURI DANTAS, RAFAEL MORAES MOURA

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