Alexander Zemlianichenko/AP
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Dilma quer Brics unidos para cortar risco global

Sem citar o momento ruim de vários países do grupo, como o Brasil e Rússia, Dilma defendeu uma posição conjunta do grupo de emergentes para o debate sobre o crescimento do G-20

Fernando Nakagawa, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2015 | 02h03

ANTÁLIA,TURQUIA - A presidente Dilma Rousseff defendeu no discurso inicial da reunião das cinco maiores economias emergentes do mundo, os Brics, que o grupo "siga comprometido com a redução dos riscos" à economia global. Sem citar o momento ruim de vários países do grupo, como o Brasil e Rússia, Dilma defendeu uma posição conjunta do grupo de emergentes para o debate sobre o crescimento do G-20.

Líderes do G-20 estão reunidos na Turquia para uma cúpula de dois dias sobre como impulsionar o crescimento global, mas grande parte das discussões econômicas tem sido ofuscada pelos ataques mortais reivindicados por Estado Islâmico em Paris, na sexta-feira, que deixaram quase 130 mortos.

Para Dilma, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - os países que formam os Brics - devem trabalhar para que o G-20 priorize quatro pontos na agenda econômica do encontro de líderes que acontece deste ontem na Turquia.

A presidente brasileira defende agenda que prioriza: 1) aumento do investimento em infraestrutura; 2) redução da volatilidade do mercado financeiro; 3) reforma das instituições financeiras, e 4) redução da pobreza e da desigualdade.

Dilma não mencionou diretamente o mau momento que atinge vários dos membros dos Brics, como a recessão no Brasil e Rússia e a desaceleração da China, mas disse que o grupo continua exercendo uma "força positiva" para o crescimento da economia global.

Ainda no tema econômico, Dilma reforçou o pedido do Brasil pela reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para "dar mais equilíbrio" à gestão do Fundo.

As cinco maiores economias emergentes concordam que a situação da economia global "está em risco" e que a "recuperação ainda não é sustentável". A avaliação consta do comunicado oficial divulgado após a reunião dos líderes dos Brics. Para superar os obstáculos à economia, os emergentes voltam a pedir coordenação global das políticas macroeconômicas.

"Os líderes concordaram que a economia global ainda está em risco e que sua recuperação ainda não é sustentável, o que realça a importância do fortalecimento da coordenação e da cooperação em políticas macroeconômicas entre os membros do G-20 para evitar repercussões negativas e de modo a lograr crescimento forte, equilibrado e sustentável", diz o comunicado divulgado após o encontro na manhã de ontem. A reunião dos Brics acontece em paralelo à reunião de cúpula do G-20.

Incertezas. Na abertura da reunião, o presidente da China, Xi Jinping, ressaltou em discurso a existência de "incertezas e fatores desfavoráveis" na economia global. Além da coordenação global, o grupo pede que as 20 maiores economias do mundo "devem se concentrar na implementação de suas respectivas estratégias nacionais de crescimento". O grupo também defendeu "o fortalecimento do sistema multilateral de comércio" e a busca "por uma economia mundial aberta, inclusiva e baseada em regras".

O comunicado diz ainda que "desafios econômicos continuam prejudicando as perspectivas futuras de crescimento econômico". Entre os desafios, foi citado nominalmente "a politização das relações econômicas e a introdução de sanções econômicas unilaterais". Atualmente, a Rússia é o único membro dos Brics que tem sofrido sanções econômicas após o conflito na Ucrânia.

O grupo voltou a contrariedade com a falta de avanço nas reformas do FMI. "Os líderes expressaram seu profundo desapontamento diante da falta de progresso na modernização de instituições financeiras internacionais, especialmente nos acordos relativos à reforma do FMI", diz o comunicado. Para o grupo, a adoção das reformas de 2010 "continua a ter a maior prioridade para salvaguardar a credibilidade, legitimidade e eficácia do FMI".

Esboço do G-20. Os líderes das 20 maiores economias do mundo se comprometeram a utilizar todos os instrumentos de política para lidar com o crescimento econômico desigual, que fica aquém das expectativas, de acordo com esboço do comunicado do G-20 visto pela Reuters ontem.

Em um aceno aos nervosos mercados financeiros, o G-20 destacou a necessidade de "calibrar cuidadosamente" e comunicar claramente as decisões de política, de acordo com esboço, que deve ter sua versão final divulgada hoje.

Os líderes também observaram a escalada da crise de refugiados, dizendo que todos os Estados têm de partilhar o fardo, incluindo através do reassentamento de refugiados e outras formas de ajuda humanitária, bem como destacaram a importância de uma solução política.

Eles também endossaram as chamadas medidas "BEPS" para reformar o sistema fiscal global. O esboço do comunicado não abordou diretamente a luta contra o terrorismo, que o G-20 destacou em um documento separado. /COLABOROU REUTERS

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