Dilma quer espanhóis no trem-bala

Presidente sugere participação em licitações de infraestrutura, incluindo o trem-bala; premiê e rei querem mais negócios com o Brasil

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h07

O governo brasileiro convidou ontem os empresários espanhóis do setor ferroviário a participarem da licitação para a construção do trem de alta velocidade entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Em reuniões bilaterais, tanto o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, quanto o rei da Espanha, Juan Carlos, reforçaram à presidente Dilma Rousseff o interesse dos espanhóis em participar de concorrências públicas de infraestrutura, em especial do trem-bala.

A construção do trem de alta velocidade (TAV) no Brasil foi mencionada quando Dilma e Rajoy falaram sobre oportunidades de negócios entre os dois países. A presidente sugeriu ao chefe de governo que estimule empresários espanhóis a participar das licitações para concessões de infraestrutura "em rodovias, ferrovias, trem de alta velocidade, portos e aeroportos".

Instantes depois, Rajoy elogiou as oportunidades às empresas estrangeiras no Brasil, país ao qual chamou de "potência do presente". "É do interesse da Espanha e de suas empresas investir no desenvolvimento do Brasil", ressaltou. "As empresas espanholas podem aportar sua experiência internacional em setores como a infraestrutura, por exemplo em trens de alta velocidade, de energia, consultoria e telecomunicações."

O premiê espanhol voltou mais tarde ao assunto, mencionando também negócios possíveis na exploração de petróleo, em conjunto com a Petrobrás. Então citou mais uma vez o TAV, "uma obra de infraestruturas muito importante". "Logicamente as empresas espanholas estão interessadas."

Associação. Duas empresas, Thales España - filial da francesa Thales Systèmes de Transport - e a espanhola Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles (CAF), negociam uma associação para apresentar uma oferta conjunta na licitação, segundo confirmou ontem ao jornal El Economista o conselheiro de Thales España, José Sánchez Bargos, para quem a licitação no Brasil é "o projeto mais atraente" da empresa. "Queremos participar, mas entendemos que deve haver um grupo espanhol."

No último sábado, Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística - responsável pela futura licitação do TAV -, disse a jornalistas brasileiros em Cádiz que as empresas espanholas podem tirar proveito de sua rede de trens AVE mais nova, capaz de operar com todas as especificações técnicas adotadas no mundo. Além disso, o modelo de concessões a ser adotado pelo Brasil será similar ao da Espanha.

No entanto, companhias da França, da Alemanha, do Japão e da Coreia do Sul também serão convidadas a participar - os chineses serão excluídos por seu recente histórico de acidentes. Um convite idêntico será feito em dezembro ao presidente da França, François Hollande, durante visita de Dilma a Paris.

A licitação do trem-bala será realizado em duas etapas, a primeira em julho, para definição das empresas que construirão os trens, a sinalização e os sistemas operacionais - tudo avaliado em € 8 bilhões. A segunda etapa será o projeto de engenharia, mais caro. O valor do projeto é estimado pelo governo em € 34 bilhões.

Câmbio. Em seu mais forte discurso contra a austeridade, Dilma falou a empresários espanhóis sobre sua gestão e, quando falava da política de queda dos juros, reconheceu que intervém no câmbio para evitar a alta do real. "Criamos as condições para alterar o mix de juros e câmbio", disse Dilma, sem se referir ao Banco Central. "Reduzimos a apreciação cambial de nossa moeda e fizemos os juros internos começarem a convergir para um patamar mais condizente."

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