Dilma quer incluir mais medidas na política industrial

Presidente pede a ministros ações que compensem a perda de competitividade do setor por causa da valorização do real

Renata Veríssimo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

Para evitar um fiasco no anúncio da nova política industrial, marcado para a próxima terça-feira, a presidente Dilma Rousseff determinou ontem que novas medidas sejam incluídas no pacote para compensar a perda de competitividade do setor industrial brasileiro provocada pela valorização excessiva do real.

A ordem para reforçar as medidas voltadas para o setor manufatureiro foi dada ontem pela presidente durante reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. O dever de casa será apresentado pelos ministros à presidente numa nova reunião marcada para amanhã.

Nesse novo cenário, desonerações tributárias podem ganhar mais força no pacote. O Ministério da Fazenda resistia a reduções expressivas de tributos diante do atual quadro fiscal e gostaria de apostar as fichas na desoneração da folha de pagamentos das empresas, de mais abrangência econômica.

Como a medida não sairá neste momento, a área econômica terá de reforçar o pacote. "A nova política industrial não será um fiasco e terá medidas importantes", garantiu o ministro Guido Mantega, por meio de assessores.

Foco. Os produtos manufaturados com valor agregado mais alto serão o principal foco do pacote, apesar de trazer metas também para aumentar a inovação tecnológica no País. A nova versão da política industrial terá metas e medidas até 2015 para o aumento dos investimentos e de inserção de empresas no mercado internacional. Também trará linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que devem privilegiar setores com maior uso de conteúdo nacional.

O início da produção de tablets no Brasil já foi considerado pelo ministro Fernando Pimentel como a "ponta do iceberg de uma política industrial muito ambiciosa". Ou seja, o governo quer estimular a produção e uso de componentes nacionais em todos os setores e a transferência tecnológica.

O governo também deve estimular associações de empresas estrangeiras com grupos nacionais para a instalação de fábricas no Brasil. Os estímulos poderão ser por meio de incentivos fiscais e concessão de financiamentos.

Conteúdo nacional. O setor automobilístico tem pressionado o governo para obter incentivos fiscais para carros "genuinamente brasileiros". A proposta sugere desoneração tributária para automóveis que atendam a um índice alto (pelo menos 60%) de componentes nacionais. No entanto, uma fonte do setor, disse não esperar medidas já na política industrial. "A discussão é muito complexa. Vai demorar mais tempo. Se tiver (na política industrial) alguma coisa será mais conceitual do que medidas concretas", disse a fonte.

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