Dilma quer retomar Rodada Doha em 2014

Em um esforço para a retomada das negociações comerciais da Rodada Doha em 2014, o Brasil defendeu o fim do compromisso dos parceiros do G-20 de não criar novas barreiras comerciais e de reduzir as existentes em 2013. Vários líderes do grupo das maiores economias do mundo, reunidos nos últimos dois dias no México, haviam proposto a extensão dessa medida até 2015. "Se prorrogar, não tem Rodada Doha 'never more' (nunca mais, em inglês)", disse ontem a presidente Dilma Rousseff.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / MÉXICO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h09

O consenso em torno da posição brasileira, entretanto, fracassou. O documento final do G-20, segundo o presidente do México, Felipe Calderón, estendeu esse compromisso por mais dois anos, até 2014. Chamado de "standstill", essa cláusula foi adotada com o objetivo de impedir uma escalada protecionista no auge da crise financeira.

Dilma insistiu que a Rodada Doha reconheceu os desequilíbrios no comércio internacional e fixou como objetivo a eliminação deles. Em especial, dos subsídios agrícolas europeus e americanos e das medidas de proteção aos setores industrial e de serviços aplicados pelas economias em desenvolvimento. "A crise atual não pode ser usada como um biombo para a preservação desses desequilíbrios", defendeu ela à imprensa, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil. "Queremos que a Rodada Doha seja reaberta em 2014, com prazo para ser encerrada."

Em princípio, o período entre o fim do "standstill" e o relançamento da rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC) serviria para a definição das regras dessa negociação multilateral.

Desde a suspensão da Rodada de Doha, em 2007, o Brasil repete que só aceitará sua retomada se os seus objetivos de promover o desenvolvimento, definidos seis anos antes, forem mantidos. Isso significa não excluir das conversas a eliminação dos subsídios às exportações agrícolas e a redução das subvenções à produção do setor pelos países desenvolvidos. Os EUA, porém, insistem na redefinição das metas da negociação multilateral de comércio.

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