Dilma reafirma críticas a países ricos

Presidente recebe líder da CE, Durão Barroso, e se diz descontente com injeção maciça de recursos para reanimar suas economias

Leonencio Nossa, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

24 de setembro de 2012 | 20h57

NOVA YORK - A presidente Dilma Rousseff aproveitou um encontro ontem com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, para deixar claro o descontentamento do Brasil com a forma como os países ricos têm combatido a crise. Com injeções maciças de recursos para animar suas economias, a Europa, os Estados Unidos e o Japão promovem a perda de competitividade dos produtos do Brasil e outros países emergentes.

O recado será repetido nesta terça-feira, no discurso que Dilma fará na abertura da 67ª assembleia geral das Organizações das Nações Unidas (ONU). A presidente tem reafirmado essa posição em todos os foros internacionais de que participa.

Ao contrário dos Estados Unidos, porém, que tornaram tensa a relação com o Brasil ao criticar, de forma dura, a decisão de elevar as tarifas de importação de 100 produtos, Durão Barroso preferiu manter o tom conciliador. Após o encontro de cerca de duas horas com Dilma, ele comentou que a conversa foi "cordial" e que ela é "ótima pessoa". Ele não fez críticas ao suposto protecionismo brasileiro.

Barroso avaliou que a crise na Europa "honestamente vai durar algum tempo". Na conversa com jornalistas, ele recorreu a metáfora do futebol para comentar a situação europeia: "Nós já passamos a primeira parte do jogo e agora estamos na segunda, e contrariando o que previam os apostadores, não perdermos jogadores. O que eu peço é que não percamos a concentração".

O presidente da Comissão Europeia disse também que os problemas sofridos por alguns países europeus ainda não foram resolvidos, mas que "o euro é uma moeda estável".

Visita ao Brasil

Logo depois da entrevista, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, afirmou que a "longa conversa" de Dilma e Barroso serviu para aprofundar o debate sobre a zona do euro, a questão europeia e as relações econômicas entre o Brasil e a comunidade. Patriota disse que Barroso visitará o Brasil em janeiro do próximo ano para mais uma rodada de diálogo.

A presidente passou o dia de ontem fechada no hotel, finalizando o discurso desta terça-feira com a ajuda de assessores. Sua agenda oficial estava em branco até o meio da tarde, quando então foi confirmada a audiência com Durão Barroso.

O governo brasileiro está preocupado com os possíveis efeitos da terceira rodada de afrouxamento da política econômica norte-americana, que promete comprar até US$ 40 bilhões em títulos públicos e privados ao mês, injetando recursos na economia. Dilma já orientou a Fazenda a tomar providências para evitar uma queda acentuada da cotação do dólar ante o real.

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