Dilma reafirma críticas a países ricos

Presidente recebe líder da CE, Durão Barroso, e se diz descontente com injeção maciça de recursos para reanimar suas economias

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h08

A presidente Dilma Rousseff aproveitou um encontro ontem com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, para deixar claro o descontentamento do Brasil com a forma como os países ricos têm combatido a crise. Com injeções maciças de recursos para animar suas economias, a Europa, os Estados Unidos e o Japão promovem a perda de competitividade dos produtos do Brasil e outros países emergentes.

O recado será repetido hoje, no discurso que Dilma vai fazer na abertura da 67.ª assembleia geral das Organizações das Nações Unidas (ONU). Ela usará boa parte dos 30 minutos para discutir a crise financeira internacional. Dilma passou a manhã e parte da tarde de ontem no hotel para fechar o texto, segundo assessores. No discurso, fará críticas a medidas dos países desenvolvidos, como a injeção de dinheiro novo nas economias.

Sem referências diretas, Dilma questionará os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa. Ela não repetirá o termo "tsunami monetário", mas o sentido será o mesmo, disseram assessores. A presidente ainda citará temas tradicionais, como a mudança na estrutura do Conselho de Segurança da ONU.

Ao contrário dos Estados Unidos, que tornaram tensa a relação com o Brasil ao criticar, de forma dura, a decisão de elevar as tarifas de importação de 100 produtos, Durão Barroso preferiu manter o tom conciliador. Após o encontro de cerca de duas horas com Dilma, ele comentou que a conversa foi "cordial" e que ela é "ótima pessoa". Ele não fez críticas ao suposto protecionismo brasileiro.

Barroso avaliou que a crise na Europa "honestamente vai durar algum tempo". Na conversa com jornalistas, recorreu a metáfora do futebol para comentar a situação europeia: "Nós já passamos a primeira parte do jogo e agora estamos na segunda e, contrariando o que previam os apostadores, não perdemos jogadores. O que eu peço é que não percamos a concentração."

Visita ao Brasil. Logo após a entrevista, o chanceler Antonio de Aguiar Patriota afirmou que a "longa conversa" de Dilma e Barroso serviu para aprofundar o debate sobre a zona do euro, a questão europeia e as relações econômicas entre o Brasil e a comunidade. Patriota disse que Barroso visitará o Brasil em janeiro de 2013 para mais uma rodada de diálogo. A intenção é retomar as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia e avaliar acordos entre Brasil e Portugal.

O governo brasileiro está preocupado com os efeitos da terceira rodada de afrouxamento da política econômica americana, que promete comprar até US$ 40 bilhões por mês em títulos públicos e privados, injetando recursos na economia.

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