Dilma repassa argumentos contra depoimento de Denise Abreu

Segundo um dos participantes, ministra afirmou que nunca fez gestão, pressão ou pedido de favorecimento

Cida Fontes, da Agência Estado,

10 de junho de 2008 | 17h23

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, se reuniram nesta terça-feira, 10, no Palácio do Planalto, com líderes da base aliada e seis integrantes da Comissão de Infra-Estrutura do Senado para repassar os argumentos a serem usados na quarta-feira para rebater as acusações da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu contra a ministra. A reunião teve a participação do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Aloizio Mercadante (PT-SP). Veja também: Turbulências da Varig   Além dos líderes do governo Romero Jucá (PMDB-RR), do Bloco Governista, Ideli Salvatti (PT-SC), e do PMDB , Valdir Raupp, participaram da reunião os senadores Inácio Arruda (PCdoB-CE), Serys Slhessarenko (PT-MT), Fátima Cleide (PT-RR) e Wellington Salgado (PMDB-MG). Segundo um dos participantes do encontro, a ministra Dilma Roussef afirmou aos parlamentares, na reunião, que nunca fez gestão, pressão ou pedido de favorecimento a empresários ao longo do processo de venda da Varig. Auxiliada pela sua secretária-executiva, Erenice Guerra, Dilma apresentou um relato cronológico de todo o processo, a ser encaminhado ainda hoje aos senadores da base aliada. De acordo com o relato de um dos participantes, o ministro José Múcio Monteiro lembrou que o processo de recuperação judicial da Varig começou em 2005 e que houve leilões em que não apareceu comprador. De acordo com o ministro das Relações Institucionais, a Anac aprovou por duas vezes o controle acionário da VarigLog e o juiz Luiz Roberto Ayoub participou sempre das decisões da Anac. Ficou decidido, na reunião, que o governo e os parlamentares aliados não discutirão a denúncia do jornal O Globo, na edição de hoje, de que houve contrato de gaveta na compra da VarigLog pelo fundo americano Matlin Patterson para enganar a Anac. Os senadores governistas consideram tratar-se de um assunto de processo judicial, nada tendo a ver com a Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Denúncia Denúncias feitas pela ex-diretora da Anac, com exclusividade ao jornal O Estado de S. Paulo, envolvem o Palácio do Planalto e o advogado Roberto Teixeira em histórias de tráfico de influência, abuso de poder pelo primeiro escalão do governo, acusações de suborno e a elaboração de um dossiê falso. Ela conta que foi pressionada pela ministra Dilma Rousseff e pela secretária-executiva da Casa Civil a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Como a lei brasileira proíbe estrangeiros de ter mais de 20% do capital das companhias aéreas, a diretora queria documentos comprovando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros para verificar se tinham recursos para a compra. Contudo, segundo ela, Dilma pressionou para a venda sem a documentação necessária. Denise deixou o cargo em agosto de 2007, sob pesadas críticas e acusações durante a CPI do Apagão Aéreo. Chegou a ser responsabilizada pelo caos aéreo e pelo acidente da TAM. Também foi acusada de fazer lobby para a TAM. Embora não fosse presidente da agência, por seu estilo agressivo, era considerada a diretora mais forte. E ficou conhecida pela foto publicada no Estado em que aparece fumando um charuto no casamento da filha do colega de agência, Leur Lomanto, em Salvador, no auge do apagão aéreo. Quem representava os compradores da VarigLog e da Varig era o escritório do advogado e compadre do presidente Lula Roberto Teixeira. Ele é acusado por outro personagem importante desse período da aviação brasileira: o empresário Marco Antônio Audi, sócio da VarigLog. Afastado da gestão da VarigLog pela Justiça de São Paulo - que acusa ele e dois sócios de serem "laranjas" do fundo americano -, Audi diz que só foi possível aprovar a compra da VarigLog pela influência de Teixeira no governo e na Anac. Para isso, pagou US$ 5 milhões ao advogado. Com a aprovação da compra da VarigLog pelo fundo Matlin e seus sócios brasileiros, eles puderam levar a Varig, em leilão, por US$ 24 milhões. Meses mais tarde, a empresa foi revendida à Gol, por US$ 270 milhões. Hoje, Teixeira advoga para o maior inimigo de Audi, Lap Chan, representante do Matlin Patterson.

Tudo o que sabemos sobre:
Denise AbreuVarig

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.