Alexander Zemlianichenko/AP
Alexander Zemlianichenko/AP

Dilma pede que Brics sigam comprometidos com redução dos riscos à economia global

Sem citar o momento ruim de vários países do grupo, como o Brasil e Rússia, Dilma defendeu uma posição conjunta dos emergentes para o debate no G-20

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2015 | 08h49

(Texto atualizado às 9h45)

ANTÁLIA, TURQUIA - A presidente Dilma Rousseff defendeu no discurso inicial da reunião das cinco maiores economias emergentes do mundo, os Brics, que o grupo "siga comprometido com a redução dos riscos" à economia global. Sem citar o momento ruim de vários países do grupo, como o Brasil e Rússia, Dilma defendeu uma posição conjunta do grupo de emergentes para o debate sobre o crescimento do G-20. A reunião dos Brics acontece em paralelo à reunião de cúpula do G-20.

Para Dilma, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - os países que formam os Brics - devem trabalhar para que o G-20 priorize quatro pontos na agenda econômica do encontro de líderes que acontece a partir deste domingo na Turquia. A presidente brasileira defende agenda que prioriza: 1) aumento do investimento em infraestrutura; 2) redução da volatilidade do mercado financeiro; 3) reforma das instituições financeiras e 4) redução da pobreza e da desigualdade. 

Dilma não mencionou diretamente o mau momento que atinge vários dos membros dos Brics, como a recessão no Brasil e Rússia e a desaceleração da China, mas disse que o grupo continua exercendo uma "força positiva" para o crescimento da economia global. Ainda no tema econômico, Dilma reforçou o pedido do Brasil pela reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) para "dar mais equilíbrio" à gestão da instituição. 

Risco. As cinco maiores economias emergentes concordam que a situação da economia global "está em risco" e que a "recuperação ainda não é sustentável". A avaliação consta do comunicado oficial divulgado após a reunião. Para superar os obstáculos à economia, os emergentes voltam a pedir coordenação global das políticas macroeconômicas.

"Os líderes concordaram que a economia global ainda está em risco e que sua recuperação ainda não é sustentável, o que realça a importância do fortalecimento da coordenação e da cooperação em políticas macroeconômicas entre os membros do G-20 para evitar repercussões negativas e de modo a lograr crescimento forte, equilibrado e sustentável", diz o comunicado divulgado após o encontro nesta manhã. 

Na abertura da reunião, o presidente da China, Xí Jìnpíng, ressaltou em discurso na sessão de abertura a existência de "incertezas e fatores desfavoráveis" na economia global.  Além da coordenação global, o grupo pede que as 20 maiores economias do mundo "devem se concentrar na implementação de suas respectivas estratégias nacionais de crescimento". O grupo também defendeu "o fortalecimento do sistema multilateral de comércio" e a busca "por uma economia mundial aberta, inclusiva e baseada em regras".

O comunicado dos emergentes diz ainda que "desafios econômicos continuam prejudicando as perspectivas futuras de crescimento econômico". Entre os desafios, foi citado nominalmente "a politização das relações econômicas e a introdução de sanções econômicas unilaterais". Atualmente, a Rússia é o único membro dos Brics que tem sofrido sanções econômicas após o conflito na Ucrânia. 

O grupo voltou a contrariedade com a falta de avanço nas reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Os líderes expressaram seu profundo desapontamento diante da falta de progresso na modernização de instituições financeiras internacionais, especialmente nos acordos relativos à reforma do FMI", diz o comunicado. Para o grupo, a adoção das reformas de 2010 "continua a ter a maior prioridade para salvaguardar a credibilidade, legitimidade e eficácia do FMI". 

Agenda. A presidente saiu cedo do hotel Maxx Royal, onde está hospedada para a reunião de cúpula do G-20, para exercícios e uma caminhada nos arredores do hotel que fica no balneário turco de Antália. Por volta das 7h50 no horário local (3h50 em Brasília), a presidente retornava ao hotel ao lado e foi vista pelos jornalistas que chegavam ao local para cobrir o encontro. Na agenda da manhã, Dilma participou às 10 horas no horário local da reunião dos Brics.

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