Dilma: situação distinta à de 1997 justifica partilha

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que a opção do governo pelo modelo de partilha nos projetos de exploração do petróleo do pré-sal se deve ao fato de que a situação do País, hoje, especialmente a macroeconômica, é completamente diferente da situação existente em 1997, quando foi implantado o modelo de concessão, no governo Fernando Henrique Cardoso. Dilma discursou no seminário "O pré-sal e o futuro do Brasil", em um hotel de Brasília.

GERUSA MARQUES E LEONARDO GOY, Agencia Estado

22 de setembro de 2009 | 13h46

"Em 1997, tínhamos imensa dificuldade, não tínhamos recursos suficientes para investir, estávamos extremamente frágeis pelos impactos da crise internacional. Tínhamos um empréstimo de US$ 14 bilhões no FMI (Fundo Monetário Internacional) e só US$ 16 bilhões em caixa. A Petrobras tinha perdido sua capacidade de investir. Hoje, a situação econômica é completamente diferente", afirmou a ministra.

Ela disse que a economia brasileira vem crescendo em torno de 4% ao ano e observou que as reservas brasileiras são de R$ 215 bilhões e que os dados mais recentes mostram uma recuperação grande do mercado brasileiro. "Hoje, temos a Petrobras, que é a oitava maior empresa do mundo, a segunda maior empresa em lucratividade no que se refere ao petróleo e a segunda em valor de mercado. Temos condições perfeitas para adotar o modelo de partilha. Nós não somos uma economia fragilizada, somos uma economia forte", declarou a ministra.

Dilma lembrou, no seu discurso, que o governo vem sendo questionado se não estaria se precipitando ou perdendo tempo ao discutir agora o pré-sal, que só produzirá petróleo "em 2017, em 2020". Segundo a ministra, quem vai investir no pré-sal, no Brasil, quer saber as regras do jogo, e é condição prévia saber a capacidade da indústria de fornecer bens e serviços. "Ter regras do jogo claras é condição para explorar o pré-sal", declarou.

Etanol

Dilma disse também que o governo não mudou a sua política para os recursos renováveis, inclusive o etanol, por causa do pré-sal. "Não mudamos um milímetro nosso discurso sobre energia renovável", afirmou a ministra, depois de participar da abertura do seminário "Pré-sal e o futuro do Brasil". Segundo ela, o Brasil tem hoje a oportunidade de ser um País produtor e exportador de petróleo e também um grande consumidor de energia renovável. "Não podemos ser ingênuos de colocar uma coisa contra a outra (o pré-sal e a energia renovável)".

Segundo ela, o fato de o Brasil ter descoberto grandes reservas de petróleo não acaba com a sua característica de ter a matriz energética mais renovável do mundo. "Nós não estamos olhando o pré-sal como um substituto da nossa matriz energética", assegurou a ministra. Ela lembrou que no Brasil os carros já circulam com pelo menos 25% de etanol, que é misturado à gasolina. Além disso, lembrou, existe a frota de carros flex que podem usar tanto a gasolina quanto o álcool e a mistura de biodiesel ao óleo combustível, que já está em 4%.

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