Dilma só reiterou posições brasileiras, avaliam especialistas

Apesar das fortes críticas aos países desenvolvidos, o discurso da presidente Dilma Rousseff não surpreendeu, segundo especialistas. Na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, na terça-feira, a presidente se valeu dos mesmos argumentos econômicos usados na ONU em setembro de 2011. Na ocasião, ela defendeu a indústria nacional e criticou as medidas adotadas por países desenvolvidos na solução da crise de 2008. "Houve a reiteração das posições brasileiras. Ao citar as medidas protecionistas como legítima defesa comercial, Dilma se direcionou ao público interno", afirma o ex-embaixador e consultor de negócios Rubens Barbosa.

MATEUS COUTINHO, MÔNICA REOLOM, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h07

Para Carlos Thadeu de Freitas, chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio, a discussão entre medidas protecionistas dos países emergentes e a emissão de moedas pelos países desenvolvidos deveria ser feita no âmbito dos organismos multilaterais, especialmente o G-20.

As decisões dos Estados Unidos e do Brasil buscam exclusivamente o benefício próprio, segundo Barbosa. "Os países desenvolvidos aplicam medidas porque acreditam que elas vão permitir a volta do crescimento. O Brasil, por sua vez, está tomando outras medidas para contrabalançar."

O professor Fernando Holanda Barbosa, da Escola de Pós-graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), considera que os comentários de Dilma focaram nos consumidores e empresários brasileiros e serviram para justificar decisões implementadas na gestão econômica. "Mas as palavras da presidente são retóricas, pois não terão força para mudar as decisões adotadas pelos bancos centrais dos EUA e pela zona do euro."

Por outro lado, a injeção de moeda estrangeira na economia pode ser positiva para o País, explica o vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Se os governos não injetarem liquidez na economia, a tendência é ter crescimento menor. Isso significa menos importação e a cotação de commodities diminui." Castro lembra que as commodities representam 70% das exportações brasileiras./COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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