Dilma, sobre Petrobras: R$ 2 bi não dão nem para o gasto

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira, 27, que o bônus de R$ 2 bilhões que a Petrobras vai pagar este ano por ter recebido da União mais quatro áreas de petróleo no pré-sal na Bacia de Campos não dão "nem para o gasto" para compor o superávit primário.

ERICH DECAT E RAFAEL MOURA MORAES, Agência Estado

27 de junho de 2014 | 19h49

"Quando vocês virem no jornal que nós estamos fazendo superávit primário, superávit primário se faz com R$ 15 bilhões e não com R$ 2 bilhões. Com R$ 2 bilhões não dá para o gasto para fazer superávit", afirmou Dilma, que participou da convenção nacional do PCdoB em Brasília.

"Nessa contratação direta que acabamos de fazer é importante explicar para vocês que a Petrobras vai pagar a título de bônus de assinatura apenas R$ 2 bilhões. É menos (do que contratos anteriores) porque nós queremos que a Petrobras se fortaleça na área de pré-sal. Segundo porque nos queremos que a Petrobras passe a antecipar o óleo, ao invés de esperar 5 anos", ressaltou.

O Palácio do Planalto decidiu eliminar a licitação de quatro campos do pré-sal para concedê-los diretamente à Petrobras. Com a operação, a estatal ganhará reservas adicionais entre 10 bilhões e 15 bilhões de barris e terá de desembolsar R$ 15 bilhões em bônus e antecipações até 2018. Neste ano, a medida colocará R$ 2 bilhões no caixa do governo. A decisão ajudará o Tesouro Nacional a fechar as contas de 2014 e a elevar a economia para pagar os juros da dívida, o chamado superávit primário.

No discurso, Dilma também fez críticas indiretas à gestão de Fernando Henrique Cardoso, época em que chegou a ser discutida a mudança do nome da estatal. "A Petrobras passa a ser muito valiosa. Nunca mais a Petrobras, com Bras de Brasil, será transformada em Petrobrax. Com esses campos com 10 a 14 milhões de barris de reserva, a Petrobras passa a ter acesso ao maior volume de petróleo tornado disponível na atualidade", afirmou a petista.

Para a presidente as críticas à Petrobras vão se "perder no deserto". Na verdade, o ''curto prazismo'' é sempre ''eu quero mais dividendo no curto prazo'', contra ''o que eu quero no médio e longo prazo''. "Empresa de petróleo é medida pela quantidade de reservas que ela dispõe, e mais uma vez essas vozes vão se perder no deserto, ou melhor, vão se perder no mar, e isso na imensidão do mar do pré-sal", ressaltou. "É perfeitamente possível ter regime de participação do interesse privado, mas tem que preservar a força de sua empresa estratégica", concluiu.

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