Dilma tenta reconquistar a confiança do setor

CENÁRIO: Gustavo Porto

O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2014 | 02h05

Mais que uma reaproximação com o agronegócio, a presidente Dilma Rousseff buscou, ao anunciar ontem R$ 156 bilhões para o setor no Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015, reconquistar a confiança dos produtores rurais. Trata-se de um setor que não pode ser desprezado: além de aumentar ano a ano a produção de grãos, garantindo alimento na mesa dos brasileiros, exporta US$ 100 bilhões, gera um saldo de US$ 83 bilhões e ainda salva a balança comercial brasileira de um vexatório déficit comercial.

Em ano de preocupação com a inflação, a agricultura ganha destaque e não por acaso é o único segmento da economia que recebe subsídios de ponta a ponta, para plantar, colher e comercializar a safra. Há uma semana, a presidente lembrou que não há uma vírgula sequer na política agrícola brasileira sem subsídio.

Mas como um setor tão pujante e tão beneficiado pelo governo perdeu a confiança na presidente? Por que, ao contrário de outros anos, importantes lideranças do setor decidiram não se deslocar para Brasília e prestigiar a solenidade que define o montante de recursos que será empregado no setor durante os próximos 12 meses, a partir de julho?

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) - entidade que reúne grandes empresas, associações, cooperativas e até bancos privados e públicos financiadores do setor - tenta responder às indagações. "A coisa que mais pegou com a Dilma foi a criação de uma insegurança jurídica maior que a que tínhamos. Em vez de criar governança que sustentasse o setor privado diante dessa insegurança, arrebentou o ministério e só nomeou gente sem sensibilidade." O presidente da Abag deveria ocupar uma das cadeiras que ficaram vazias no lançamento do plano, em Brasília.

Gustavo Diniz Junqueira, presidente de outra entidade do setor, a Sociedade Rural Brasileira (SRB), também mandou representantes ao evento e preferiu comandar uma reunião de conselho da entidade.

Junqueira e Carvalho sustentam ainda que o momento atual, com forte tensão política e eleitoral, já seria o menos propício para uma simples reaproximação, quanto mais para tentar retomar a confiança perdida. "Em ano eleitoral, tentar uma reaproximação tardia e sem muito conhecimento de causa nos preocupa", disse Junqueira.

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