Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Dilma teria visto "com bons olhos" aumento da mistura de anidro

Após mais de duas horas de reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, afirmou nesta terça-feira que a ministra "viu com muito bons olhos e que é possível" elevar de 20% para 25% a mistura de álcool anidro à gasolina. A proposta de elevação da mistura tem sido defendida pelos empresários do setor sucroalcooleiro nas últimas semanas como forma de evitar novas quedas dos preços do combustível no mercado interno. "Os preços estão se desfazendo", disse Carvalho. Embora tenha sido consultada pelo Estado, até o início da noite desta terça a assessoria da ministra não havia se manifestado sobre a afirmação de Eduardo de Carvalho.Com a mistura de 25%, a demanda mensal por álcool anidro seria de 500 milhões de litros, contra 400 milhões de litros com a mistura de 20%, segundo estimativas do Ministério da Agricultura. Por lei, a mistura pode oscilar de 20% a 25%, conforme determinação do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (CIMA), que reúne os ministérios da Agricultura, Minas e Energia, Fazenda e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A última mudança foi feita em fevereiro deste ano, de 25% para 20%, em virtude da iminente crise de abastecimento de etanol. A adição de 20% vale desde 1º de março.De acordo com o presidente da Unica, foi criado um grupo de trabalho para rever "dois ou três números" apresentados ao governo na reunião desta terça. "Nós esperamos que em uma ou duas semanas esse assunto possa ser decidido", afirmou Carvalho. "Eu estou trabalhando na hipótese que o governo venha aceitar brevemente a nossa sugestão", completou. A ministra disse aos empresários, segundo relato do dirigente, que os dados também precisam ser avaliados pelos demais ministérios que integram o Cima, que é presidido pelo Ministério da Agricultura. Nenhum técnico da pasta participou do encontro. Para defender a elevação, os representantes dos usineiros garantiram à ministra Dilma que a produção de álcool é suficiente para atender à demanda até a entrada da próxima safra. "Isso nos permite assegurar que não haverá uma problema de abastecimento se a mistura subir para 25%", afirmou Carvalho. A moagem da safra de cana-de-açúcar começa em abril e vai até dezembro. De acordo com Carvalho, a oferta de álcool na safra 2006/07 é de 15,7 bilhões de litros. Ele calculou que menos de 20% da cana-de-açúcar da safra atual será esmagada nos três últimos meses do ano. Carvalho comentou ainda que a iniciativa privada não fixou prazo para que o governo tome uma decisão sobre o assunto. "Mas é bom ter uma decisão o quanto antes", avaliou.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2006 | 19h21

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.