Dilma volta a defender proposta de exploração do pré-sal

Ministra-chefe da Casa Civil rebate críticas e afirma que "não há demérito em ser nacionalista"

Sandra Hahn, da Agência Estado,

18 de setembro de 2009 | 15h42

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a defender nesta sexta-feira, 18, a nova regulamentação proposta para explorar a camada de petróleo do pré-sal e disse que não há "demérito em ser nacionalista", ao responder ao que tem sido, segundo ela, uma das acusações feitas ao governo no modelo apresentado. "Agora, com o pré-sal, vêm e nos acusam: o modelo de vocês é nacionalista, é estatizante", relatou, durante discurso no lançamento das obras da BR-448, em Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre (RS).

 

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"A elas (acusações), nós devemos responder o seguinte: se por modelo nacionalista é aquele que vê no pré-sal uma forma de pegar esta riqueza do petróleo e utilizá-la para a população, para o desenvolvimento do Brasil, para assegurar que o Brasil tenha, de fato, soberania sobre seus recursos naturais, sim nós somos nacionalistas", discursou Dilma. "Sobretudo porque nós achamos que não há nenhum demérito em ser nacionalista", prosseguiu, dizendo que o Brasil precisa de "patriotas", de "pessoas dedicadas a ele", que "têm responsabilidade com ele, que não pretendem alienar suas riquezas naturais".

 

Neste contexto, Dilma considerou que "é uma honra que nós hoje tenhamos autoestima suficiente para declarar sim, nós somos nacionalistas". A ministra também defendeu as propostas do pré-sal da qualificação de "estatizantes". Ela avaliou que as fontes do petróleo são estratégicas, pois 77% das reservas do mundo estão com estatais do setor, o que evidencia, em sua visão, que esta é uma "riqueza que dá força para o país que a controla".

 

Em entrevista depois de participar do evento, Dilma reiterou que o governo federal irá duplicar a BR-392 entre Pelotas e Rio Grande (RS), na região sul do Estado. Dilma já havia dito anteriormente que o governo buscava uma solução "técnica" que permitisse o investimento da União na estrada, que neste trecho é uma concessão à iniciativa privada.

 

Conforme a ministra, o governo esperava que o concessionário aceitasse proposta de reduzir as tarifas de pedágio. No entanto, a União decidiu começar a duplicação e o concessionário terá duas alternativas: aceitar a proposta e, desta forma, a obra passará a fazer parte da concessão, ou caso contrário, este trecho não terá cobrança de pedágio. Dilma explicou que o Tribunal de Contas de União aprovou a possível inclusão da obra na concessão.

 

Em discurso no evento realizado para assinar a ordem de serviço da BR-448, Dilma disse que o Rio Grande do Sul "está recebendo um dos maiores volumes de investimento", antes de listar projetos da União no Estado. Dilma citou a própria BR-448, ampliação da BR-116, prolongamento do trem metropolitano (Trensurb) de São Leopoldo até Novo Hamburgo e o incentivo à instalação de um estaleiro em Rio Grande, que receberá encomendas da Petrobrás.

 

"O pré-sal chegou antes ao Rio Grande do Sul", afirmou, sobre a orientação de produzir equipamentos para a indústria petrolífera no Brasil. Ela lembrou que uma plataforma já foi montada em Rio Grande e outra será feita no mesmo local. A BR-448, cuja ordem de serviço para a construção foi assinada nesta sexta-feira, terá 322 quilômetros de extensão entre Sapucaia do Sul e Porto Alegre. As obras devem demorar 30 meses e custarão R$ 824 milhões.

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