Wilton Junior|Estadão
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Diluir fatia na Eletrobrás é preocupação do governo

Segundo ministro, se emissão de ações não for suficiente para reduzir fatia do governo de 60% para 40%, pode ser feita uma nova venda de papéis

Célia Froufe / ENVIADA ESPECIAL A MADRI, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2017 | 05h00

A equipe econômica está disposta a usar todas as ferramentas para reduzir a participação da União na Eletrobrás, afirmou ontem o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, em Madri, onde participará de reuniões com potenciais investidores no setor de infraestrutura, com vistas a divulgar os leilões que o governo tem programados. A viagem oficial, que ainda incluirá uma passagem pela Itália, vai tentar destacar o atual cenário de recuperação da economia brasileira.

O primeiro passo será uma emissão de ações da estatal, atualmente em fase de definição. Pelos cálculos do ministro, a operação deve fazer com que a fatia do governo caia de pouco mais de 60% das ações com direito a voto para cerca de 40%. 

Caso a emissão seja insuficiente para atingir esse resultado, o governo partirá para uma nova venda direta de papéis. Segundo ele, a maior preocupação do governo hoje é a de que a diluição da União não ocorra mesmo com emissão de ações.

Para o mercado financeiro, a redução de 60% para 40% vai na direção correta – mas, mesmo assim, o consenso é que a participação estatal na companhia ainda continuaria a ser expressiva. “(A redução da participação do governo para 40%) não é um target (objetivo) nosso, ao contrário. Mas é que, pelo tamanho do aumento de capital pela emissão de ações, dificilmente vai diluir mais do que isso”, explicou o ministro. 

Para que a fatia estatal seja reduzida para algo mais perto de 20% ou 30%, de acordo com Oliveira, seria preciso um fluxo “enorme”, dado o alto valor de mercado da companhia. “A participação do governo na Eletrobrás vai continuar sendo alta, mas se houver risco de a participação do governo não ser diluída, aí sim pode ser que se venda uma pequena parcela.”

Previdência. Em relação à reforma da Previdência, o ministro reforçou que o ideal seria que a aprovação ocorresse ainda este ano. Ele enfatizou que, para quem tem projeto político para a eleição presidencial de 2018, a mudança das regras ainda na administração de Michel Temer é o cenário mais favorável. “Quanto mais tarde se fizer a reforma da Previdência, pior será, pois (a medida) terá de ser mais dura”, previu. 

Dyogo prometeu também ser rígido em relação às ameaças de greve que estão sendo feitas por servidores da Receita Federal em função de uma regulamentação sobre o pagamento de bônus da categoria. 

Na opinião do ministro, não há sentido uma paralisação de funcionários bem remunerados, que tiveram aumento de salário acima da inflação e ainda receberão um bônus de R$ 3 mil. “Não vejo motivo para ninguém que está ganhando bem entrar em greve”, disse, acrescentando que, se um movimento nessa direção ocorrer, solicitará que a Justiça considere a paralisação abusiva. 

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