Diminui a concentração do varejo nas mãos dos grupos gigantes do setor

Comércio. Em 2009, as cinco maiores do setor detinham 54% da receita no ranking das 80 maiores empresas; agora, essa participação é de 46,8%, fruto principalmente do processo de fusões e aquisições implementado pelas outras companhias

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

Em 2009, as cinco maiores empresas varejistas do País detinham 54% da receita no ranking das 80 maiores empresas do setor. No ano passado, esse 'poder' diminuiu: a participação de Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart, Americanas e Makro caiu para 46,58%, segundo ranking elaborado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar).

De acordo com o levantamento, o crescimento do varejo de bens de consumo no último ano foi puxado pelas médias e grandes empresas, principalmente por causa de fusões e aquisições ocorridas entre as companhias desse porte. Já as cinco gigantes do setor tiveram desempenho abaixo da média do varejo e ficaram estacionadas nos processos de fusões e aquisições.

O estudo mostra que o varejo de bens de consumo, excluindo veículos e combustíveis, cresceu 10% de 2009 para 2010. Enquanto isso, as 80 maiores varejistas desse segmento ampliaram em 25% as vendas. O faturamento das cinco maiores, no entanto, cresceu 7% nesse período. Já as dez maiores registraram um acréscimo de 13,6% na receita. Essa taxa de variação é quase o dobro da alcançada pelas gigantes do setor.

"O segredo do crescimento está nas outras empresas, que estão fora do ranking das cinco maiores redes varejistas", afirma o presidente do Ibevar e responsável pelo ranking, Claudio Felisoni de Angelo. O especialista observa que o ranking - que este ano lista as 100 maiores do setor - foi construído a partir do dados de balanço das companhias e pesquisas feitas diretamente com as empresas. A lista considerou fusões e aquisições realizadas também em 2011, exceto a da rede de supermercados G. Barbosa, controlada pelo grupo chileno Cencosud, que comprou a fluminense Prezunic.

Como a média de crescimento do varejo foi de 10% de 2009 para 2010 e as 80 maiores cresceram 25%, Felisoni atribui essa diferença ao avanço das fusões e aquisições entre companhias de médio para grande porte.

Como exemplos de movimentos de concentração feitos recentemente, ele cita cinco casos: o Magazine Luiza, a Máquina de Vendas, a Drogasil com a Droga Raia, a Drogaria São Paulo com a Pacheco e a Lojas Renner com a Camicado, todas companhias de médio para grande porte. Aliás, uma das mudanças ocorridas no grupo das cinco primeiras de 2009 para 2010 foi a saída da Máquinas de Vendas e a entrada do Makro. A Máquina de Vendas ocupava no ranking anterior a 5ª posição e caiu para o 7º lugar. Já o Makro ascendeu do 6º para o 5º lugar em faturamento.

Felisoni destaca o forte processo de consolidação que vem ocorrendo no segmento de drogarias. Hoje os grupos Drogasil/ Droga Raia e Drogaria São Paulo/ Pacheco faturam cerca de R$ 4 bilhões cada. Um ano atrás, a receita dos líderes desse segmento era metade da atual.

Mudança. "As gigantes ficaram paradas nesse período, por isso perderam participação", afirma o vice-presidente do Ibevar, Eduardo Terra. Mas, para Felisoni, essa parada é momentânea e reflete, em parte, o revés sofrido na tentativa do Pão de Açúcar de se unir ao Carrefour.

Ele acredita que, após essa onda de negócios entre empresas de médio para grande porte, as gigantes devem voltar a se interessar pela aquisição dessas empresas, que ficam mais robustas com a compra das menores. A lógica do movimento, explica o especialista, é a seguinte: pressionadas pelo Fisco, as empresas regionais se formalizam. Com isso, reduzem sua margem de lucro e acabam sendo compradas pelas varejistas de maior porte. O passo seguinte é a gigante adquirir as grandes empresas que incorporaram as regionais.

Outro dado importante é a participação de estrangeiros. Na lista das 100 maiores, três das cinco primeiras são controladas por estrangeiros (Carrefour, Walmart e Makro). Além disso, em 2012, o grupo francês Casino deve se tornar oficialmente controlador do Grupo Pão de Açúcar.

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