Amanda Perobelli/ Estadão
Amanda Perobelli/ Estadão

'Diminuir número de impostos reduziria custos das empresas’, diz presidente do Bradesco

Executivo defende ‘reformas possíveis’ e diz que, mesmo sem redução da carga, simplificação tributária ajudaria o País

Entrevista com

Octavio de Lazari, presidente do Bradesco

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2020 | 04h00

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, que o País precisa se concentrar atualmente em aprovar reformas possíveis em um cenário de eleições de 2020. “Sempre digo que o ótimo é inimigo do bom”, ressaltou Lazari.

Apesar de não ter expectativa de uma redução da carga tributária – por causa da complicada situação fiscal do País –, o presidente do Bradesco disse que uma simples simplificação da estrutura de impostos já ajudaria o País. “Diminuir o número de impostos tiraria um custo importante das empresas.”

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Uma eventual desaceleração das reformas pode prejudicar o crescimento do País?

Nossa projeção para o PIB segue em 2,5% para 2020. Não vamos mexer, por enquanto. A reforma da Previdência era a mais importante e passou. Pelo que tenho visto, apesar de termos calendário eleitoral no segundo semestre, vamos conseguir andar com as reformas administrativa e tributária, além da independência do Banco Central.

A qualidade das reformas importa?

Não serão reformas ótimas. Sempre digo que o ótimo é inimigo do bom. A gente sabe que não dá para diminuir a carga tributária no Brasil porque ainda temos um problema fiscal. Temos de conseguir diminuir o número de impostos e desburocratizar ­– e isso está sendo sugerido na proposta do Baleia Rossi (MDB-SP) e do (economista) Bernardo Appy.

Qual seria o impacto dessa simplificação tributária para o Bradesco?

O Bradesco tem 372 funcionários no departamento de auditoria só para cuidar de impostos. Se for simplificado, poderia ter metade. Diminuir o número de impostos tiraria um custo importante das empresas.

E em relação ao resultado do banco, quais são as expectativas do banco?

A gente sabe da pressão regulatória e que deverá ter novas mudanças. Mas, quando olho cada linha do balanço do banco crescendo, não é o que vejo. A Losango, financeira do HSBC, veio para ser fechada. Resolvemos esperar. Cortamos os funcionários pela metade e a empresa entregou R$ 300 milhões de lucro em 2019. No balanço, não há nenhum protagonista. O Bradesco dá resultados em várias linhas.

A melhora da economia ajuda?

Quando olho um PIB crescendo 1,2% e o fato de termos sido capazes de crescer 34% no crédito pessoal, 1% no imobiliário e mais de 20% em veículos, estamos ocupando espaço da concorrência. O time está preparado para capturar esse crescimento da economia brasileira. Nosso guidance (projeção) pode ser audacioso? Até pode ser. Um presidente de uma grande companhia tem de se desafiar o tempo todo porque, senão, a empresa não cresce.

E a rentabilidade? O banco quer recuperar o segundo lugar nesse quesito?

Não é uma obsessão, mas é o nosso objetivo lá na frente. É encurtar a distância para quaisquer outros concorrentes que estejam na nossa frente.

E as fintechs, podem atrapalhar o crescimento do lucro do Bradesco?

Para nós, pode ter certeza que não é (um problema). Nós vamos crescer.

O banco divulgou metas mais agressivas no quesito socioambiental. O que isso significa?

Todas as empresas no Brasil, de alguma maneira, têm alguma iniciativa socioambiental. O banco entendeu que não fazia algo corporativo, de toda a organização. Há cerca de dois anos, a ONU nos convidou para participar da elaboração dos princípios de responsabilidade bancária. A partir daí, entendemos que deveríamos fazer um trabalho mais amplo e institucional para somente consumir energia renovável limpa e fazer nossa organização zerar a emissão de carbono.

O banco pretende investir na própria produção de energia ou via terceiros?

Começamos com algumas fazendas de energia solar, em Minas Gerais, que abastecem parte das nossas agências locais. Mas entendemos que precisávamos avançar mais. Por isso, fechamos com várias empresas para só comprarmos certificados de energia limpa. Todo o consumo de energia do Bradesco será adquirido no mercado livre de comercialização de fontes renováveis, certificado por uma auditoria. 

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