Dinheiro da Argentina bloqueado pelo FMI vai para credores

O ministro de Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, reconheceu hoje que os US$ 9 bilhões bloqueados pelo FMI servirão exclusivamente para honrar os compromissos que o país tem com organismos multilaterais de financiamento. "O nosso objetivo é não ter mais saldos negativos com os organismos", disse Lenicov à Agência Estado. Lenicov insistiu que o saldo negativo de US$ 9 bilhões que a Argentina tem com os organismos multilaterais de financiamento se referem a um montante caso não venha a entrar nenhum tipo de recurso para a Argentina nesse momento.Segundo o ministro, o provável acordo com o Fundo permitirá liberar também alguns recursos extras, em torno de US$ 2 bilhões de outros organismos multilaterais, que serão revertidos para o setor exportador argentino. Depois, explicou Lenicov, a Argentina necessitará de recursos para recompor as reservas e reconstruir o sistema financeiro do país.O ministro de Economia da Argentina informou que a negociação com os detentores de títulos da dívida externa argentina serão retomadas imediatamente depois de assinado o acordo com o FMI e não antes disso. "É necessário que a Argentina assine esse acordo com o Fundo, caso contrário seria inconsistente de nossa parte retomar essas discussões antes de obter os recursos para honrar nossos compromissos com organismos multilaterais", afirmou. De acordo com o ministro, é possível que essas negociações com credores internacionais seja retomada em abril. Passos dadosLenicov informou também que a Argentina se encontra neste momento em uma fase onde já poderá ser definido o tipo de ajuda financeira. "Os passos dados até agora com o Fundo Monetário Internacional já permitiriam chegar a um acordo se estivéssemos em uma situação conjuntural diferente à que estamos enfrentando", afirmou. "Por isso, precisamos trabalhar o mais rápido possível para que a situação possa ser revertida".O ministro disse que as metas econômicas incluídas no orçamento deste ano, que prevêem uma queda de 4,9% do PIB, inflação de 15%, superávit primário de 1% são executáveis, já que o nível de gastos que o governo pretende fazer será cumprido. Ele informou, no entanto, que essas estimativas estão sendo revisadas e discutidas com os técnicos do Fundo, já que alguns analistas e economistas acreditam que essas metas podem não ser factíveis para o país por causa da crítica situação econômica e financeira.ApoioO ministro argentino relatou que, nos encontros mantidos com as principais lideranças econômicas e políticas durante a Assembléia Geral do BID, fez uma descrição da difícil situação da Argentina. "Todos reconheceram que a nossa situação é muito complicada. E alguns deles perguntaram por que não fizemos isso há três ou quatro anos. E por que esperamos tanto, ao ponto de nossas reservas terem caído quase US$ 20 bilhões apenas em 2000", disse o ministro. De acordo com Lenicov, as lideranças com as quais manteve contato se comprometeram a colaborar com a Argentina. O ministro de Economia da Argentina relatou que um mês depois de ter feito a primeira visita ao subsecretário do Tesouro dos EUA, John Taylor, em Washington, disse que os compromissos firmados naquela ocasião, de avançar no orçamento deste ano em relação ao pacto com as províncias e ao acordo de tarifas com as empresas, foram cumpridos. Brasil solidárioEle afirmou que no encontro mantido com o presidente Fernando Henrique Cardoso hoje, escutou de FHC a mesma solidariedade demonstrada há duas semanas em Buenos Aires durante a reunião de cúpula do Mercosul. De acordo com Lenicov, FHC disse que fez pedido de apoio à Argentina junto ao G-7.Segundo o ministro, FHC se comprometeu a fazer novos contatos para acelerar a ajuda financeira à Argentina. "Ficamos profundamente agradecidos pelas palavras do presidente Cardoso", afirmou.O ministro argentino informou que começou negociações com alguns países que estariam dispostos a oferecer ajuda financeira. Lenicov não quis citar quais seriam esses países, mas frisou que os eventuais recursos obtidos dessas negociações serão revertidos para programas especiais. Entre eles, o ministro citou planos sociais e programas de exportações do país.Indagado se entre esses países estariam alguns da América Latina, Lenicov disse que as nações latino-americanas não têm fundos disponíveis para apoiar a Argentina. "Dessa ótica, entendemos que o apoio dos países latino-americanos se referem mais a atitudes políticas e de solidariedade", afirmou.Leia o especial

Agencia Estado,

11 de março de 2002 | 18h26

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