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''Dinheiro da CPMF vai fazer falta''

Lula admite queda também na arrecadação de Estados e municípios e diz que não pretende mandar cortar gastos

Ricardo Brandt, PORTO VELHO, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem, mesmo sem mencionar diretamente a crise econômica, que o governo terá queda na arrecadação. Mesmo assim, manteve o discurso de que não pretende mandar cortar gastos. Lula falou em queda de arrecadação ao voltar a lamentar o fim da CPMF."Agora é que os prefeitos vão saber como vai fazer falta o dinheiro que eles (oposição) tiraram de nós no ano passado. Porque vai diminuir a arrecadação e, se diminui a arrecadação federal, diminui a dos Estados e municípios", disse Lula, em discurso na periferia de Porto Velho, em Rondônia. Ele voltou a dizer que o governo não vai enfrentar a turbulência reduzindo despesas. Vai, pelo contrário, investir mais. "Quem acha que o presidente Lula vai mandar funcionário público embora ou reduzir gastos com saúde ou no Bolsa-Família vai cair do cavalo. Porque eu vou anunciar mais obras, mais estradas, mais ferrovias e mais política social", disse Lula a jornalistas.Ao citar as próximas medidas para ativar a economia, Lula disse que anunciará em até dez dias o pacote para incentivar a construção de até 1 milhão de moradias. O presidente também confirmou que os beneficiados que estão hoje pagando aluguel não vão acumular o gasto do aluguel com a prestação do imóvel. "Enquanto a pessoa paga aluguel e a chave não for entregue, pagará apenas taxa simbólica, de R$ 20 a R$ 30."Mais cedo, na visita ao canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, a 130 quilômetros de Porto Velho, o presidente brincou com a crise econômica mundial. "A imprensa viu o gol do Ronaldo ontem?", perguntou, assim que chegou ao evento. E emendou: "Para compensar a crise, o Ronaldão taí, ó".Lula chegou cedo a Rondônia para visitar duas das principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de energia: as usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, no Rio Madeira. Acompanhado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, Lula esteve pela manhã na área de construção da Usina de Jirau, que fica no distrito de Jaci-Paraná. Após uma vistoria simbólica, fez um discurso para operários, políticos locais e assessores. Com previsão de criação de pelo menos 10 mil empregos diretos por causa da obra, Lula aproveitou para voltar a defender os investimentos no setor produtivo como forma de afastar a recessão do País."Temos de cuidar para que sejam feitas mais obras como essa. Muitos empresários tiveram problemas em fazer obras com o governo no passado, porque não tinha dinheiro e eles tinham que parar a construção. O Brasil ficou conhecido como o campeão de obras não concluídas", destacou Lula. "Esse é o momento em que a gente, com responsabilidade, tem que investir para gerar empregos", disse o presidente. "A crise nasce da irresponsabilidade dos bancos internacionais, que quiseram ganhar dinheiro com papéis e não com o setor produtivo." Segundo Lula, 2009 é o ano mais "delicado" para o Brasil na crise global. FRASESLuiz Inácio Lula da SilvaPresidente"Agora é que os prefeitos vão saber como vai fazer falta o dinheiro que eles (oposição) tiraram de nós no ano passado. Porque vai diminuir a arrecadação e, se diminui a arrecadação federal, diminui a dos Estados e municípios""Vou anunciar mais obras, mais estradas, mais ferroviase mais política social"

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