Dinheiro de venda de ativos será usado para reduzir dívida

Além da privatização das distribuidoras, subsidiárias também vão se desfazer de participação em projetos

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2017 | 05h00

Desde que chegou ao comando da Eletrobrás, em 26 de julho do ano passado, uma das principais metas de Wilson Ferreira Júnior é reduzir o endividamento e a alavancagem da empresa, de 8,9 vezes para 4 vezes a relação dívida líquida/Ebtida. Para alcançar esse número, uma série de ativos está à venda no mercado.

A prioridade é se desfazer das distribuidoras, cuja privatização deverá ocorrer no segundo semestre deste ano. Embora não espere arrecadar muito dinheiro com as vendas, a empresa teria uma folga de R$ 2 bilhões no balanço. Esse é o prejuízo que as concessionárias dão à holding todo ano.

As participações minoritárias que a Eletrobrás tem em vários projetos Brasil afora também poderão ser vendidos, afirma Ferreira Júnior. Segundo ele, as controladas da Eletrobrás têm participação minoritária em 178 Sociedades de Propósito Específico (SPEs), sendo 41 na área de transmissão e o restante em geração. E parte delas também será alvo de venda.

“A recomendação é que, em projetos que têm tag along (mecanismo de proteção ao minoritário), se o controlador de um projeto vender a participação, as subsidiárias também poderão se desfazer da participação”, diz o presidente da Eletrobrás. No caso dos parques eólicos, cujo volume de energia é menor, a estatal deverá reunir todos os projetos e fazer uma venda conjunta. “A ideia seria as subsidiárias entregarem esses projetos para abater dívida com a holding e a gente fazer a venda”, diz o executivo.

Os ativos imobiliários do grupo também estão na lista de venda. A Eletrobrás, por exemplo, tem um terreno que vale algo em torno de R$ 100 milhões, comprado no passado para fazer uma nova sede da holding. “Mas, nos dias atuais, isso não faz mais sentido. É muito mais vantajoso alugar um imóvel.” Só no Rio, os ativos imobiliários poderiam render mais de R$ 200 milhões ao grupo. “Temos de nos focar em ser uma holding de geração e transmissão de energia.”

O dinheiro das vendas será usado para abater dívida, especialmente os R$ 6 bilhões que a Eletrobrás pegou nos últimos anos a taxas exorbitantes, entre 18% e 19% ao ano. É o que vai acontecer com o R$ 1,2 bilhão que a empresa receberá em fevereiro, referente à privatização da Celg, distribuidora de Goiás.

Indenização. Para fazer frente aos investimentos, a empresa contará a partir de julho com os recursos da indenização pela renovação das concessões. São cerca R$ 17 bilhões que serão pagos durante oito anos. “A tarefa não é fácil. Temos de reduzir custo ao mesmo tempo que reduzimos dívida e fazemos os investimentos.” / R.P.

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