Dinheiro do Alibaba deve financiar compras do Yahoo

Em entrevista, Marissa Mayer afirma que venda de fatia do site chinês, do qual o Yahoo é sócio, deverá facilitar aquisições

FERNANDO SCHELLER , ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2014 | 02h06

Prestes a completar dois anos no comando do 'vovô' da internet Yahoo, a executiva Marissa Mayer foi ao Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade para revelar a nova estratégia da empresa: o investimento em conteúdo de mídia e redução da dependência da ferramenta de buscas, que ainda responde por 40% das receitas da companhia.

Em resposta à pergunta do Estado, único veículo latino-americano a entrevistá-la, Marissa disse que o dinheiro para novos investimentos virá da venda de ações do Alibaba, empresa da qual o Yahoo é sócio. A porta de saída seria a abertura de capital do e-commerce chinês nos EUA, prevista para agosto.

Mesmo depois de gastar mais de US$ 1 bilhão na ferramenta de blogs Tumblr, que o Yahoo ainda não conseguiu transformar em fonte constante de receita, a companhia ainda está de olho em novas compras. No radar estão serviços de vídeos. No passado, a empresa fez uma oferta pelo Hulu, que não foi adiante depois que o valor pedido também chegou à casa do bilhão de dólares. "Ainda não encontramos a aquisição certa em vídeos", disse a executiva.

Marissa não deu detalhes do porcentual que o Yahoo está disposto a vender no Alibaba. Em 2012, depois de se desfazer de uma fatia do negócio, a companhia distribuiu cerca de US$ 6 bilhões em remuneração a acionistas e, mesmo em dificuldades, ainda guardou dinheiro para compras como a Tumblr e o lançamento de novos serviços criados dentro de casa, como o Yahoo Screen, site de vídeos semelhante ao YouTube. Ela diz que, com a venda de mais uma participação no Alibaba, uma nova rodada de pagamentos a acionistas deve ser feita.

Análises publicadas na imprensa internacional apontam que o valor coletado pelo Yahoo com a venda da fatia no Alibaba pode ficar entre US$ 8 bilhões e US$ 15 bilhões.

Até agora, o maior êxito de Marissa em quase dois anos à frente do gigante de internet foi estancar a "sangria" de receita que assolou o Yahoo em 2011 e 2012. No ano passado, o resultado ficou estável. "Considero o atual estado da empresa bom", disse. A executiva afirmou ainda que nunca esperou reverter definitivamente os problemas do negócio em um período inferior a três anos. "Isso ainda me dá algum tempo."

Enquanto não coleta dinheiro novo e ganha fôlego para uma nova aquisição no setor de vídeos, o Yahoo aposta suas fichas em um serviço para concorrer com o YouTube, do Google: o Yahoo Screen. Para atrair usuários para sua plataforma, a empresa aposta em parcerias - fechou, por exemplo, acordo com a Live Nation para exibir um show de música por dia em sua plataforma, durante 12 meses.

Em palestra no Cannes Lions, ontem, Marissa afirmou que a ideia é que o serviço de buscas seja apenas um dos quatro pilares do Yahoo, ao lado de vídeos, experiências em aplicativos móveis e redes sociais. Segundo Marissa, o tráfego nas ofertas do Yahoo para celulares e smartphones subiu 30% no último ano.

Para atrair a atenção e reter o visitante, a empresa aposta na curadoria de conteúdo, tendo atraído para o site nomes importantes do jornalismo americano, como a âncora Katie Couric. A companhia já lançou cinco revistas eletrônicas em inglês e se prepara para se aventurar no terreno da Netflix, com produção de conteúdo de TV para a web.

No caso do Tumblr, a empresa vem mudando a cobrança de anúncios na ferramenta de blogs, com investimento em "publicidade nativa", que tenha relação com o conteúdo que o usuário está visitando. Embora admita que a presença da publicidade no Tumblr seja "bastante leve", Marissa diz que o produto cumpre seu papel numa empresa com 20 anos de internet: o de rejuvenescimento. "Quando fechamos a compra, 91% dos usuários do Tumblr tinham menos de 34 anos", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.