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Dinheiro do Noroeste pode sumir na Nigéria, diz advogado

Grande parte dos US$ 242 milhões desviados do banco Noroeste, comprado pelo Santander em 1997, poderão desaparecer para sempre na Nigéria, país considerado um "grande buraco negro" no labirinto da lavagem internacional de dinheiro. A avaliação é do advogado Domingos Refinetti, que coordena as dezenas de ações internacionais desfechadas a pedido dos ex-controladores do banco para tentar reaver o dinheiro desviado.Montantes que podem chegar a US$ 190 milhões foram repassados por Nélson Sakagushi, ex-diretor da área Internacional do Noroeste e apontado como mentor do desfalque, para contas dos nigerianos Emmanuel Odinigwe e Christian Ananjemba e, posteriormente, também de Naresh Asnani. A partir destes depósitos, o dinheiro foi pulverizado em centenas de outras contas espalhadas pelo mundo. Por enquanto, foram localizados e congelados US$ 60 milhões em contas bancárias e imóveis nos Estados Unidos e Reino Unido."Parte dos US$ 180 milhões ainda desaparecidos, com certeza, foi para a Nigéria", confirma Refinetti. Investigações feitas a pedido dos ex-controladores do banco mostraram que Odinigwe gastou milhões de dólares para construir uma mansão em sua aldeia, no interior das florestas nigerianas. "Todos eles, inclusive Anajemba que posteriormente foi assassinado em circunstâncias nebulosas, eram chefes de aldeia e a riqueza é uma das formas deles mostrarem o seu poder", conta o advogado.Refinetti reconhece que será muito difícil recuperar dinheiro aplicado em instituições financeiras ou em qualquer outro tipo de empreendimento na Nigéria. "Lá é muito fácil esconder o dinheiro. Trata-se de um país de jurisdição difícil, com leis diferentes", explica ele.As investigações revelaram que a Nigéria integra um grande esquema internacional de lavagem de dinheiro. No rastreamento das contas dos nigerianos, foi descoberto dinheiro oriundo de outros países, provavelmente ligado ao tráfico internacional de drogas e armas. Em uma das buscas, foi encontrado também dinheiro do ex-ditador da Nigéria, Sani Abacha.Erro suíçoMas a dificuldade de aplicação das leis, quando se trata de lavagem de dinheiro, não é uma exclusividade nigeriana, descobriram os advogados durante as investigações recentes do caso Noroeste. Em desacordo total com a legislação, bancos suíços permitiram que milhões de dólares entrassem e saíssem, em poucos dias, de contas de pessoas ligadas ao esquema da lavagem do dinheiro."Em apenas duas contas, foram movimentados US$ 120 milhões em menos de três meses", conta Refinetti. Numa conta de Asnani, que já havia realizado outras operações suspeitas de lavagem de dinheiro em bancos suíços, entraram e saíram em poucos dias milhões de dólares, sem nenhum tipo de investigação. "Se tivessem usado a legislação, hoje já teríamos conseguido rastrear para onde foi o dinheiro", acusa o advogado.

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