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‘Dinheiro está demorando muito a chegar às mãos do empreendedor’, diz presidente da Stone

Em entrevista ao vivo ao 'Estadão', Augusto Lins criticou critérios de bancos para liberar recursos e disse que problema é a folha do mês passado, e não a do mês que vem

Entrevista com

Augusto Lins, presidente da Stone

Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 07h00

Considerada um unicórnio (startup que alcança valor de mercado de US$ 1 bilhao) brasileiro, a empresa de maquininhas de cartão Stone está atenta às dificuldades que micro, pequenos e médios empreendedores do País atravessam na forte crise provocada pelo coronavírus. “Temos de fazer com que o dinheiro chegue na ponta”, diz Augusto Lins, presidente da Stone. “O problema não é a folha de pagamento do mês que vem, mas a do mês passado.”

Em conversas com empreendedores, a companhia tem percebido que esses empresários estão com dificuldade na liberação de linhas de crédito para tocar o negócio, sobretudo para bancar as folhas de pagamento. “Os recursos não estão chegando às  mãos do empreendedor na velocidade que ele precisa.” 

O executivo concedeu entrevista ao vivo ao Estadão. Leia os principais trechos da conversa:

A Stone anunciou no dia 20 de março a liberação de R$ 100 milhões em microcrédito para o segmento de varejo. Há novas medidas que a Stone vai tomar para ajudar os micro e pequenos empreendedores?

A Stone está, desde o início, empenhada em ajudar o pequeno e médio empreendedor. Num primeiro momento, fomos conversar com o governo. Entendemos que nesta fase  é preciso uma ajuda governamental. Desde o início, a Stone defendeu a iniciativa “Cuide do Pequeno – Compre Local”. Assim que eles fecharam as portas, anunciamos aações de desoneração de R$ 30 milhões em dinheiro da própria Stone. Em paralelo, iniciamos um programa de microcrédito, de R$ 100 milhões, com intuito de ajudar a  irrigar (a economia) e fazer com que o pequeno empreendedor conseguisse passar por essa etapa. De lá pra cá, estamos gerindo a companhia com “war room” (sala de guerra) focado no cliente. Temos conversado com clientes de todo País para entender a demanda deles e saber como está chegando todo esse pacote de anúncios de desoneração, incentivos a créditos, folhas de pagamento e movimento de autônomos.

O governo liberou uma linha de financiamento, com taxas de 3,75%, para financiamento de folha de pagamentos para  pequenas e médias empresas. Mas o Sebrae afirmou que 60% das empresas não conseguem esse crédito.

O Brasil está procurando um caminho. Temos visto muito ruído e desalinhamento. Temos de fazer com que o dinheiro chegue na ponta. Os R$ 600 começaram a chegar nesta semana. Foi uma solução fantástica para ajudar a tirar a pressão. A medida provisória dos salários, como estamos chamando, vai ajudar na próxima folha de pagamento. Mas a decisão do governo de liberar os recursos através das instituições financeiras não está surtindo o efeito esperado, pois o dinheiro não está chegando nas mãos do empreendedor na velocidade que ele precisa. Vários empresários estavam esperando esses recursos para pagar a folha de pagamento da semana passada. Muitos empreendedores estão preocupados em manter os empregos, mas a pressão para pagar a folha de pagamentos é muito grande. Muita gente pensa que empreendedor é muito bem de vida, mas muitos não têm reservas.

No seu universo de clientes, há muitos que não conseguem acesso aos recursos?

Temos conversado com os clientes e o retorno foi que as instituições financeiras estão criando barreiras para acesso aos recursos. O fato é que está difícil obter esses créditos. Para o contingente que tem receita de até R$ 360 mil – e muitos são clientes da Stone –, a gente pode prestar um papel importante  para esse universo. 

Com a crise do coronavírus, houve uma redução tráfego das maquininhas. Como seu negócio foi afetado?

Temos forte presença com pequenos e médios empresários e somos também fortes em e-commerce. A parte de transporte, viagem e entretenimento foi a mais afetada, mas Stone não tem presença significativa. No  segmento de rua, como bares e restaurantes, houve uma redução de transações no início. Depois, uma certa recuperação porque as pessoas estão sendo criativas e criando formas de vender de forma remota. Temos recebido maior demanda por maquininhas e criado soluções para ajudá-los, como a ferramenta que gera link de cobrança. Temos feito um conjunto de inovações para desenvolver soluções novas para os clientes. Tem muitos clientes com bastante estoque. Por que não ajudá-los a disponibilizar esses produtos no marketplace?

Fintechs já têm demitido. A Stone pode passar por essa crise sem cortar vagas?

A gente apoia o movimento de não fazer demissão. Temos de passar confiança para nossos colaboradores e clientes. Nossa visão é que esta crise tem início, meio e fim, mas é difícil saber qual prazo para sair desta crise. A Stone tem mais de 5 mil funcionários. Como consumidores, estamos mudando o nosso comportamento, estamos mais digitais. A Stone está abrindo um monte de conta digital porque as pessoas estão demandando mais por pagamentos digitais. A indústria de meio de pagamentos vai sair fortalecida.

A perspectiva do FMI é de queda de 5,3% do PIB. O sr. acredita que o impacto na economia poderá ser ainda maior?

É muito difícil a gente prever o impacto do PIB, assim como a duração desta crise. Temos de focar na saúde de clientes e colaboradores. Temos de informar, focar no pequeno e médio empreendedor para que eles consigam sobreviver nesta fase. Assim, quando vier a retomada, ela será mais acelerada. 

A Stone fez uma campanha de marketing na semana passada, com a live da cantora Marília Mendonça. Sob o ponto de vista de marketing, a campanha deu muito certo. Mas o que essa iniciativa trouxe para a causa?

A estratégia de marketing da Stone sempre foi direcionada para o lojista. De 2019 para cá, a gente ampliou o nosso repertório, passando  também a fazer um trabalho de construção de marca. A iniciativa com a Marília Mendonça é uma ação de construção de marca ligada à cultura do Brasil. A mensagem reforça o nosso posicionamento, foi uma ação de solidariedade, de pedir doações, e que também reforça a nossa marca mostrando a postura da Stone de servir ao nosso cliente e trazer inovações.

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