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'Dinheiro por Sucata' elevou gastos com consumo nos EUA

Especialista calcula que três quartos dos gastos com consumo refletem a compra de novos veículos

Nalu Fernandes, correspondente, AE

28 de agosto de 2009 | 16h37

O programa do governo federal norte-americano "Dinheiro por Sucata", de estímulo para a venda de automóveis usados, impulsionou os gastos com consumo nos Estados Unidos no mês de julho, de acordo com analistas em Nova York. A expectativa é de que o programa, encerrado no início desta semana, ainda irá oferecer um incentivo maior para os gastos no mês de agosto. Depois disso, no entanto, o cenário para os gastos dos norte-americanos com consumo volta a ser de incerteza no país.

 

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O relatório divulgado pelo Departamento de Comércio mostra que, enquanto os gastos com consumo tiveram leve alta de 0,2% em julho, a renda pessoal teve variação zero no período. O programa do governo foi o impulso para que o norte-americano consumisse em um momento em que, de maneira geral, a renda permanece estagnada.

 

O economista-chefe da consultoria norte-americana IHS Global Insight, Nigel Gault, calcula que três quartos dos gastos com consumo refletem a compra de novos veículos, com o incentivo dado com o dinheiro público.

 

Em Nova York, os economistas acreditam que os resultados do programa federal vão proporcionar um avanço ainda maior dos gastos com consumo no mês de agosto. As vendas de automóveis feitas sob este programa foram encerradas na segunda-feira à noite (as revendedoras tiveram toda a terça-feira para encaminhar os formulários das vendas que poderiam se enquadrar no programa).

 

De acordo com o Departamento de Transporte, aproximadamente 700 mil automóveis foram vendidos com o amparo do 'dinheiro por sucata', o que significa que o mesmo número de veículos da frota antiga saiu das ruas do país. A estimativa do governo é que US$ 2,877 bilhões tenham sido usados no programa, em comparação aos US$ 3 bilhões concedidos pelo Congresso. O programa havia sido assinado nas semanas finais de julho e, inicialmente, contava com US$ 1 bilhão em dinheiro federal, montante que precisou ser aumentado por ter se esgotado rapidamente.

 

Depois do mês de agosto, no entanto, permanecem as dúvidas sobre se os gastos dos norte-americanos com consumo terão condições de se sustentar. Na divulgação do documento de hoje, é possível verificar que a variação mensal da renda dos trabalhadores ficou praticamente zerada em julho, refletindo que os "declínios nos recebimentos de juros e dividendos ofuscaram o primeiro avanço dos salários em meses", afirma Adam York, economista do Wells Fargo Securities.

 

No mês de junho, a renda do norte-americano havia tido queda de 1,1%, praticamente revertendo o avanço de 1,4% registrado em maio, um número que refletia pagamentos relativos ao programa de estímulo da administração Barack Obama, observa Paul Ferley, do RBC Capital Markets. Agora em julho, "o avanço dos gastos com consumo, em face do crescimento zero da renda, empurrou a taxa de poupança para baixo, de 4,5% para 4,2%", cita o analista, ao apontar que o número também está bem inferior à alta da poupança em maio, que havia ficado em 6%.

 

O economista-chefe do Deutsche Bank, Joseph LaVorgna, acredita que a recuperação dos gastos das famílias norte-americanas com consumo deve ser apática, diante das condições enfraquecidas no mercado de trabalho e do cenário relativo à renda pessoal no país. Os consumidores estão com o patrimônio fraturado e o crédito lesionado, observa ele.

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