Dinheiro precisa de boa gestão

Estudo mostra o valor do gasto mais eficiente

Carlos Nealdo e Carmen Pompeu, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2016 | 16h37

Um painel de contrastes. Assim é a oferta de serviços públicos nos Estados. A disparidade, segundo estudo da Macroplan, não tem relação apenas com o dinheiro aplicado, mas com a gestão do gasto.

Em Alagoas, por exemplo, de janeiro a agosto deste ano, já foram 1.232 mortes violentas. No domingo passado, entre os alvos estavam um candidato a vereador e seu irmão. No dia seguinte ao atentado, o governador Renan Filho (PMDB) apresentou novos equipamentos para a segurança: dois helicópteros, avaliados em R$ 11 milhões.

De janeiro a agosto, a segurança recebeu R$ 675 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. A Polícia Militar ficou com 58% disso. Neste momento, Christian Teixeira, secretário de Planejamento e Gestão, negocia reajustes. A violência, porém, não cede. Para o advogado Pedro Montenegro, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o problema está na falta de treinamento: a polícia combate a violência com violência.

No Ceará, a Secretaria de Saúde optou pelo caminho do treinamento de pessoal e programas de atendimento. Entre eles está o Qualifica SUS, que reorganiza a rede. O impacto pode ser visto na melhora da taxa de mortalidade infantil. O Estado saiu do 23.º lugar em 2004 (22,5 óbitos por mil) para 8.º lugar em 2014, com uma taxa de 12,3, abaixo da média nacional, de 12,9.

A diarista Marcela Simplícia lembra que, há 18 anos, quando a filha mais velha nasceu, ir ao posto de saúde era um tormento: “A gente acordava de madrugada, ficava na fila, em pé na calçada aguardando a ficha que às vezes nem vinha”, diz. No mesmo posto, ela faz o acompanhamento da caçula de três anos. As consultas são marcadas na véspera e a espera é sentada.

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