Direção da Petrobrás diz não ser momento para ‘nova agenda’

Em meio a especulações sobre troca de comando em um governo Temer, executivos dizem que gestão atual é ‘técnica’

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2016 | 07h56

Mesmo com a indefinição política no governo, com o andamento do processo de impeachment, a determinação na Petrobrás é evitar a “paralisação” das atividades. Executivos e conselheiros da estatal discutiram ontem os efeitos da crise política sobre a empresa – as ações registraram queda de até 4% na Bolsa. A avaliação interna é que a empresa tem “convicção” nas medidas adotadas, como os acordos de financiamento com bancos chineses que garantem uma “reserva de segurança” durante o período de turbulência.

Segundo fontes que acompanharam as discussões, a avaliação interna é que ainda não é o momento para discutir uma nova agenda ou equipe de transição para a estatal. A mensagem da cúpula da empresa foi que a atual diretoria tem uma “gestão técnica” e a certeza de que foram tomadas as “decisões corretas” para a recuperação.

Na conversa, os executivos reforçaram a mensagem de que a empresa tem condição financeira para suportar as adversidades. A “reserva de segurança” seria o acordo com o China Development Bank (CDB) para liberação de até US$ 10 bilhões. O compromisso firmado em fevereiro prevê o fornecimento de óleo como contrapartida.

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'A política atual é de recuperação das perdas do passado. Todos sabem que, se a Petrobrás entra em crise, arrasta o Brasil inteiro', diz Edmar Almeida, professor da UFRJ
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Até que haja uma definição sobre a mudança de governo, a determinação da diretoria é manter a execução do atual plano de gestão, focado na venda de US$ 14,4 bilhões em ativos. A companhia estendeu até maio as negociações para a venda da subsidiária na Argentina.

Incerteza. O resultado da votação na Câmara também pesou sobre o clima no Ministério de Minas e Energia (MME). O corpo técnico da área de petróleo e gás trabalhou ontem sob o “sentimento de incerteza”, segundo outra fonte. Em Brasília, já circulam nomes cotados para assumir, em um eventual governo de Michel Temer (PMDB), a presidência da estatal e também o Ministério de Minas e Energia (MME).

Para a estatal, circulam os nomes do ex-ministro Moreira Franco e do atual presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Jorge Camargo. Já para o ministério, um dos nomes cogitados é o do deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), relator na Câmara do projeto de lei que retira da Petrobrás a obrigatoriedade de operação no pré-sal. Nenhum dos citados quis comentar as especulações.

Mesmo sem a definição dos ocupantes dos cargos, a estratégia de condução da empresa não deve sofrer uma mudança em um governo do PMDB, segundo o professor Edmar Almeida, da UFRJ. Ele avalia que a empresa já tem gestão mais liberal, de olho na melhoria das finanças, e que pouco há a fazer. “A política atual é de recuperação das perdas do passado. Todos sabem que, se a Petrobrás entra em crise, arrasta o Brasil inteiro”, afirmou.

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