Direita vence na Grécia e novo premiê garante que país continua no euro

Antonis Samaras, líder do partido conservador Nova Democracia (ND), venceu ontem as eleições parlamentares e deve se tornar o novo primeiro-ministro da Grécia. Com a vitória, sua legenda, pró-austeridade, abrirá negociações oficiais hoje para a formação de um governo de "salvação nacional", em coalizão com o Partido Socialista (Pasok) e com legendas menores.

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ATENAS, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h02

O resultado das urnas também alivia, pelo menos por ora, as pressões para que o país mais endividado do bloco deixe a zona do euro. Com 99,83%% das urnas apuradas até o fechamento desta edição, o partido liderado por Samaras tinha um total de 29,66%% dos votos, elegendo 129 deputados. Em segundo lugar, com 26,89%, estava a Coalizão de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Alexis Tsipras, que elegia um total de 71 representantes.

O Partido Socialista, atualmente majoritário, estava em terceiro lugar, com 12,28% dos votos e 33 assentos no Parlamento. Outros quatro partidos (Gregos Independentes, Esquerda Democrática, Aurora Dourada e Partido Comunista) dividiram as 67 cadeiras restantes.

O resultado oficial, quando confirmado, dará direito a Samaras de costurar a formação de um governo de coalizão, que deve ser integrado por Nova Democracia, Pasok, Esquerda Democrática e, possivelmente, Gregos Independentes. Os dois primeiros partidos são considerados "pró-austeridade", por seu compromisso com os termos do programa de socorro de € 130 bilhões concedido pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Até a noite de ontem, as discussões sobre a formação de um governo de coalizão não tinham sido iniciadas oficialmente, o que deve ocorrer hoje, encerrando um impasse político iniciado em 6 de maio. Há só um problema: alguns líderes do Pasok condicionam a formação de um governo à participação do Syriza, hipótese excluída por Tsipras desde as últimas eleições fracassadas.

Promessas. Em seu primeiro pronunciamento oficial, Samaras reiterou seu compromisso com o acordo firmado com Bruxelas, garantindo que "cumprirá suas promessas". Ele não pronunciou a palavra "austeridade". "A Grécia vai permanecer na zona do euro e esperamos que as políticas tragam crescimento, justiça e desenvolvimento para o povo grego", afirmou. Samaras também classificou a eleição como "uma vitória para toda a Europa", mas pediu estímulo ao crescimento.

Logo a seguir, Tsipras falou aos jornalistas, reconhecendo a derrota e garantindo que não participará da coalizão governamental. Em lugar disso, ele pretende liderar uma "força antiausteridade", de oposição, no Parlamento.

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