Diretor da ANP diz que tem autoridade para falar

Diretor da ANP rebate as acusações com informação de que ANP não é subordinada à CVM

Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 10h43

Em resposta às críticas sobre a forma como foi divulgada a informação sobre o volume de petróleo existente na área conhecida como Pão de Açúcar, na Bacia de Santos, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, disse que tem autoridade para falar sobre o assunto. Rebateu ainda com a afirmação de que é "membro do governo" e não é subordinado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele negou a intenção de especular com a informação. "Ninguém quis especular. Os especuladores é que quiseram especular", afirmou. Veja também:Pão de Açúcar: País pode ter o terceiro maior campo de petróleo do mundoA história e os números da Petrobras  A maior jazida de petróleo do País  A exploração de petróleo no Brasil  'Brasil pode se unir à Opep', diz jornal americanoDescobertas vão render R$ 160 bi Novo megacampo no Brasil mexe com bolsas de Londres e Madri  Na segunda-feira, Lima surpreendeu o mercado ao afirmar, em seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, que a área de exploração de petróleo conhecida como"Pão de Açúcar", na Bacia de Santos, pode ter até cinco vezes o volume de petróleo do megacampo de Tupi."Se isso for confirmado,será a maior descoberta já feita,que poderá se transformar no terceiro maior campo de produção de petróleo no mundo", disse Lima na ocasião, estimando as novas reservas em 33 bilhões de barris. Nesta terça, Lima voltou a dizer que as informações dadas por ele foram publicadas em fevereiro deste ano, no jornal World Oil, de Houston, dos Estados Unidos. O artigo, assinado por Arthur Erman, intitulado "Tree Super-Giants Feelds Discovery off Shore Brazil", afirma que, se as notícias sobre o tamanho e potencial do Campo estiverem corretas, sobre a estimativa de 33 bilhões de barris de óleo, esse campo seria o terceiro maior do mundo, com produção cinco vezes maior do que o Campo de Tupy. Segundo Lima, as mesmas informações foram publicadas, também, pelo jornal O Estado de S.Paulo. Segundo o diretor da ANP, que está no Senado para uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos, a publicação americana é pouco lida no Brasil. "O pessoal vinculado à Bolsa de Valores não está interessado nisso. Querem ganhar dinheiro", afirmou, numa referência à reação no mercado, na segunda, em decorrência de suas declarações. Desempenho das ações Na segunda-feira, após as divulgações de Lima, as ações da Petrobrás dispararam. Houve um momento em que a empresa, sozinha, respondia por metade do giro de recursos na Bovespa. Os papéis ordinários (ON) chegaram a valorizar-se 10,8% e fecharam o pregão com alta de 7,68%. A direção da estatal, que de início não quis comentar as declarações do diretor da ANP, teve de emitir nota, explicando que "a abrangência das descobertas em Santos ainda depende de estudos".A empresa comunicou ainda que "um plano de avaliação das áreas deverá ser entregue à ANP dentro de poucos dias". Na noite de segunda-feira, diante da repercussão das declarações de Lima, a ANP emitiu uma nota de esclarecimento na qual classificou como" conhecidos" os dados expostos pelo diretor. A ANP remeteu as informações a notas veiculadas pela Agência Estado, em novembro do ano passado, e a uma coluna da revista World Oil. Na exposição, o diretor da ANP identificou como Pão de Açúcar apenas o bloco BM-S-9 (Bacia Marítima de Santos, nº 9), operado por um consórcio formado pela Petrobrás (45%), a britânica BG(30%) e a hispano-argentina Repsol (25%). Segundo ele, o volume de óleo que é possível extrair da jazida poderia chegar a até 33 bilhões de barris. A megajazida de Tupi tem reservas estimadas de 5 bilhões a 8 bilhões de barri As reservas de bilhões de barris de óleo, de qualidade superior à produzida atualmente no País, estão numa profundidade definida como "pré-sal", ou abaixo da camada de sal que forma blocos no subsolo marítimo. As descobertas estão em áreas próximas, na Bacia de Santos, mas a Petrobrás estima que o mesmo tipo de ambiente pode se repetir por cerca de 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, como foi informado na época da descoberta de Tupi. Os primeiros indícios de petróleo e gás na área foram informados à ANP em agosto de 2007, mas sem o volume identificado no local.

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