Diretor da Fiesp critica morosidade do sistema concorrencial

O diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Ruy Altenfelder, criticou hoje, durante o Seminário Preparatório para a 11ª Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), a morosidade do sistema concorrencial brasileiro e a desatenção dos órgãos reguladores às fusões e aquisições que ocorrem nos sistema financeiro e no setor varejista."A morosidade do sistema concorrencial brasileiro é incompatível com a velocidade com que os negócios se dão na iniciativa privada, o que acaba por prejudicar as transações e dificultar investimentos", disse Altenfelder. "O que falta é articulação entre os organismos que integram esse sistema concorrencial, que por muitas vezes acabam por emitir pareceres antagônicos sobre um mesmo tema", afirmou o diretor da Fiesp.Até que se encontre uma maneira de sanar esse problema de coesão entre os órgãos regulatórios, Altenfelder sugeriu que se adotem pré-contratos para fusões e aquisições, de modo que se garanta a integridade das partes no caso de o negócio não ser aprovado. "O tempo da economia é diferente do da burocracia", ressaltou ele. "Com os pré-contratos, conseguiríamos diminuir os impactos negativos dessa morosidade do sistema concorrencial brasileiro", sugeriu o diretor da Fiesp.O conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Fernando Marques, rebateu as críticas de Altenfelder, destacando que o grande desafio dos órgãos regulatórios está em acompanhar o tempo econômico sem perder o foco do caráter jurídico dos negócios que eles avaliam. "De qualquer forma, as instituições (concorrenciais) devem sempre buscar se aprimorar para atender de forma cada vez mais adequada as necessidades das empresas e dos investidores, tarefa que no Brasil se torna um desafio pelo tamanho do País", disse Marques.Crítica aos órgãos reguladoresAltenfelder destacou ainda os órgãos reguladores brasileiros não atuam como o esperado em todas as esferas da economia nacional. "A concentração existente no sistema financeiro e no grande varejo impacta diretamente no dia-a-dia do consumidor, e mesmo assim não tem passado pelo crivo do sistema concorrencial brasileiro", exemplificou Altenfelder.Em sua visão, o próprio setor industrial tem tentado discutir com esses segmentos de mercado "grandes questões" que interferem em seus negócios, na tentativa de saná-las apenas com o diálogo. Uma delas é o spread bancário, que segundo Altenfelder pode ser enxergado como conseqüência da concentração que ocorre no setor financeiro.

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