Diretor da OIT defende meta para emprego

O diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, defendeu que os governos coloquem metas de geração de empregos como parte de políticas públicas. Para Ryder, porém, o G-20 precisa fechar algum acordo para elevar o perfil do tema do desemprego na agenda internacional. "Os níveis são inaceitáveis e todos os políticos sabem disso", afirmou o diretor da OIT.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h18

Ontem a OIT alertou que a desaceleração das economias dos países emergentes ameaça a recuperação global e pode alimentar a crise do desemprego. A entidade admite que, em 2013, pela primeira vez o número de desempregados no mundo superará 200 milhões.

"A interrupção do crescimento nos emergentes vai ter um impacto na economia global e vai afetar os níveis de empregos nos emergentes", disse Ryder.

Nos últimos meses, o desempenho das economias de países como o Brasil, Índia, África do Sul, Indonésia, Turquia e mesmo um certo freio na economia chinesa vem sendo registrado.

"Essas economias pareciam ser os cavaleiros brancos que nos salvariam da crise", disse Ryder. "Mas, na atual situação, não dá para dizer que vamos ser retirados do buraco pelos Bric." Segundo ele, nos últimos anos, enquanto os países ricos estavam em crise, prosperou a noção de que seriam os emergentes que sustentariam a economia. "Era uma analise errada."

Um exemplo da volatilidade que vive a economia mundial, segundo ele, é a variação cambial registrada nos países emergentes, como o Brasil, e que pode voltar a jogar a economia global em risco. Para Ryder, o mundo está "pagando o preço de uma estratégia desequilibrada só focada na austeridade".

"Vemos alguns sinais de crescimento na Europa, mas é limitado e não deve reduzir o desemprego", disse o diretor da OIT.

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