Diretor da OMC prevê acordo mundial até o fim de 2006

O acordo para liberalização do comércio mundial pode ser fechado no fim de 2006, disse o diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Pnitchpakdi. Em conversas no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Supachai instou os países a trabalhar "tão arduamente quanto possível" e assumir compromissos claros em meados deste ano.O ministro do Desenvolvimento brasileiro, Luiz Fernando Furlan, disse que as negociações em curso estão "indo bem", pelo menos comparadas à chamada Rodada Uruguai de negociações comerciais, que demorou 7 anos e meio para ser concluída e criar o atual sistema de livre comércio e a OMC. No sábado, Supachai vai se reunir com mais de 20 ministros negociadores de comércio de diferentes países que estão em Davos.A chamada Rodada de Doha de negociações comerciais está paralisada há anos, com a discussão entre países industrializados e em desenvolvimento sobre subsídios e barreiras tarifárias para produtos agrícolas.?Negociações tortuosas?Está marcada uma reunião ministerial dos 148 membros da OMC para dezembro, em Hong Kong, mas muitos observadores acreditam que é improvável que haja uma solução para as diferenças entre os países antes de 2007. Supachai descreveu o ritmo das negociações da OMC como "tortuoso, difícil e consumidor de tempo". "Antes do verão (do Hemisfério Norte, em meados do ano) precisamos que os países membros apresentem alguns dados" e algumas linhas de um "pacote equilibrado" para que se possa avançar, disse ele. No entanto, Supachai alertou para a existência de muitas "armadilhas". As negociações "vão ser difíceis. Fomos empurrados para a beira do abismo muitas vezes no passado", disse ele.Em 2003, a reunião ministerial da OMC em Cancún, no México, desabou quando os países em desenvolvimento vetaram um acordo que, na opinião deles, favorecia os países ricos como Estados Unidos e União Européia.ExpectativasNem todos em Davos estão preocupados. Além de Furlan, o ministro do Comércio do Paquistão, que chegou a Davos diretamente da mesa de negociações em Bruxelas, com a União Européia (UE), disse que o movimento é possível. Mas todas as atenções em Davos estarão voltadas para o novo negociador comercial da UE, Peter Mandelson, e Robert Zoellick, o negociador dos Estados Unidos, que está deixando o cargo.Supachai elogiou os dois por terem recuado de uma guerra comercial em relação a subsídios para a Boeing e a Airbus. Ele disse que está "muito feliz" que os dois tenham evitado encaminhar a disputa a um painel (grupo de árbitros) da OMC. Nos últimos dez anos, os países membros encaminharam mais de 300 disputas à OMC, número que, segundo Supachai, é um "sinal de confiança" na justiça do sistema multilateral da OMC. Ele acrescentou, porém, que prefere acordos "fora dos tribunais" entre os países.

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