Diretor da OMC reduz grupo de negociação de Doha a 7 países

Apenas Brasil, EUA, Japão, Índia, Austrália, UE e China foram envolvidos nas discussões; decisão gera protestos

Deise Vieira e Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 12h31

Após as negociações entre todas as 35 delegações convidadas para discutir a Rodada Doha não terem apresentado progresso, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, concentrou seus esforços em tentar chegar a um consenso com um grupo de sete países líderes em comércio global. Apenas Brasil, Estados Unidos, Japão, Índia, Austrália, União Européia e China - grupo chamado "G6+1" - estiveram envolvidos nas discussões, que aconteceram nesta madrugada. Veja também:Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra'Não acredito em Doha', diz StephanesBrasil quer benefícios para etanol na Rodada Doha A reunião, entretanto, não resultou em progressos suficientes para garantir um acordo de liberalização no comércio mundial, segundo declararam representantes dos países que participaram do encontro, e causou protesto entre outros países que estão em Genebra. O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorin, considerou que a situação é fluida e que "não há ainda equilíbrio". O Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, disse que as negociações foram tensas. A delegação suíça convocou outras sete nações - Argentina, Quênia, Mauritânia, Indonésia, Turquia, Egito e Taiwan - para protestarem contra o novo formato de negociação adotado por Lamy. "Fomos simplesmente colocados na sala de espera - o que me causa problemas domesticamente e muitos dos colegas do G-10 estão na mesma situação", disse indignada a ministra da Economia da Suíça, Doris Leuthard, que liderou o protesto. Os países discutiram acesso a mercados não agrícolas e agrícolas e subsídios agrícolas aplicados de forma indireta. Lamy orientou os países a discutir números para subsídios futuros e níveis de tarifa dentro das margens propostas no "draft" - esboço - do acordo, que serve de base para as discussões, e que chegassem a um consenso. Em seu blog, Mandelson descreveu o encontro da madrugada: "Foram quase 12 horas de negociações intensas, algumas das mais difíceis e de confrontação que já presenciei desde que sou comissário europeu". "Estamos finalmente atendendo as questões problemáticas. Todos sabem disso, e a atmosfera está tensa", escreveu ele. O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, afirmou que houve "progresso em produtos sensíveis, redução de tarifas, mas ainda há muito a fazer". Representantes de 35 países estão em Genebra desde a segunda-feira, para destravar as negociações da Rodada Doha, de comércio multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC).  Segundo o ministro do Comércio da Austrália, Simon Crean, as discussões continuarão no formato do "G6+1" nesta quinta-feira. "Ainda não chegamos lá, mas foi obtido algum progresso e manteremos o formato na quinta-feira", afirmou. Já a representante de comércio dos EUA, Susan Schwab, foi mais reticente, dizendo que houve apenas "algum progresso", enquanto saía rapidamente do local da reunião. Ofertas Os Estados Unidos e a União Européia fizeram, respectivamente, ofertas esta semana para reduzir subsídios e tarifas agrícolas, e agora esperam propostas dos países em desenvolvimento para que abram seus mercados para produtos industriais. Na terça-feira, os EUA ofereceram reduzir os subsídios agrícolas anuais para US$ 15 bilhões (a proposta anterior era redução para US$ 17 bilhões). O ministro indiano elogiou o movimento, mas ainda o considerou inadequado. Nath também não deu sinais de que faria ofertas quanto ao setor industrial, mas afirmou que faria "uma boa oferta quanto ao setor de serviços", que é o componente final das discussões. A falta de flexibilidade demonstrada por Nath em relação ao setor industrial gerou críticas por parte da porta-voz da delegação norte-americana, Gretchen Hamel. "Se os países emergentes não contribuírem, essa não será uma verdadeira rodada de desenvolvimento."

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