Diretor diz que BC pode ‘intensificar’ alta dos juros

Carlos Hamilton afirma que Banco Central não será complacente com a inflação e emenda: ‘para bom entendedor, pingo é i’

Victor Martins, Francisco Carlos de Assis, ENVIADOS ESPECIAIS/FLORIANÓPOLIS (SC)

18 de novembro de 2014 | 20h00

A duas semanas da reunião que decidirá a taxa básica de juros da economia (Selic), o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, elevou o tom e disse que a instituição não será complacente com a inflação. Durante apresentação do Boletim Regional do BC ontem, deixou claro que, se necessário, a cúpula da instituição pode intensificar o aperto monetário, e emendou: “Para bom entendedor, pingo é i”.

A expressão usada por Hamilton é simbólica, depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreender o mercado em seu último encontro, quando elevou a Selic de 11% ao ano para 11,25% ao ano. O movimento não era esperado pelos analistas, que apostavam majoritariamente na manutenção da Selic. O serviço AE Projeções, da Agência Estado, ouviu 84 analistas e nenhum colocava suas fichas em uma alta dos juros.

A fala de Hamilton pode ser interpretada como um recado aos pessimistas. O diretor do BC vê uma retomada da economia a partir de 2015 e a convergência da inflação para a meta a partir de 2016. O discurso de ontem foi ainda um contraponto ao que o diretor ouviu nas reuniões trimestrais com economistas na semana passada - uma no Rio de Janeiro e três em São Paulo.

Resposta. Nesses encontros, os analistas enfatizaram a preocupação deles com o baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano que vem, a elevada taxa de inflação e a manutenção da política fiscal expansionista. Hamilton deu uma resposta dura a essas avaliações. “Se faz oportuno lembrar que o Comitê sinalizou que se manterá especialmente vigilante, dados os elevados níveis de inflação e o balanço de risco menos favoráveis. Isso quer dizer que o Copom não será complacente com a inflação”, afirmou, durante entrevista que ocorreu no VI Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira.

Hamilton disse ainda que o BC pode recalibrar a política monetária quando necessário. “No momento certo, o Comitê poderá recalibrar sua ação de política monetária de modo a prevalecer um cenário benigno para os próximos anos.” Ele também sinalizou que poderá permanecer na instituição no segundo mandato da presidente Dilma e dar sequência ao trabalho que vem sendo feito. Disse que ele e os demais colegas da diretoria do BC estão trabalhando normalmente e que vão continuar na “mesma toada”. “Nós temos grandes desafios pela frente”, disse.

Sobre a política fiscal, Hamilton afirmou que o consumo do governo tende a arrefecer o descompasso entre produção e consumo, o que tem impacto direto sobre o custo de vida de maneira a amenizar preços.

Ele afirmou que há um consenso no mercado de que o superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) em 2015 será superior ao de 2014.

Sobre as questões envolvendo a Petrobrás e as possíveis consequências para os mercados, Hamilton disse que o BC ajuda o mercado, independentemente da fonte de volatilidade no câmbio. “A nossa reação contempla uma posição firme da política monetária”, disse.

Hamilton também foi enfático ao defender que “o programa de swap (cambial) vai continuar nos termos já anunciados até o dia 31 dezembro”. “O Banco Central tem reagido de maneira clássica ao aumento da volatilidade doméstica e externa”, disse o diretor.

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